Polícia Federal investiga suposto esquema de corrupção na Prefeitura; Lima terá de utilizar tornozeleira eletrônica e cumprir outras medidas cautelares
O prefeito de São Bernardo do Campo, Marcelo Lima (Podemos),
foi afastado do Paço Municipal após se tornar alvo de uma operação da PF
(Polícia Federal) que investiga supostos esquemas de corrupção na cidade. A
ação foi deflagrada nesta quinta-feira (14) e já culminou com a prisão de um
empresário e de um servidor, de acordo com informações da TV Globo e do portal
G1.
Segundo a Polícia Federal, a operação batizada como
“Estafeta” visa apurar possíveis crimes de corrupção e lavagem de dinheiro
praticados por suposta organização criminosa que estaria atuando na Prefeitura
de São Bernardo do Campo. As investigações foram iniciadas em julho deste ano,
depois da apreensão de R$ 14 milhões em espécie (entre reais e dólares), que
estavam em posse de um servidor, suspeito de integrar organização criminosa,
identificado pela apuração do grupo Globo como Paulo Iran. Ele atua como
auxiliar legislativo do deputado estadual Rodrigo Moraes (PL), na ALESP (Assembleia
Legislativa de São Paulo). O parlamentar afirmou que ele será exonerado do cargo.
Durante a investigação, conforme noticiou o portal G1, Iran
teve seu celular periciado pela PF, que descobriu sua ligação com Lima. O
auxiliar legislativo ainda está foragido.
Além de duas prisões preventivas, os policiais federais
cumprem ainda 20 mandados de busca e apreensão em outras quatro cidades da
região metropolitana, além de São Bernardo: Mauá, São Paulo, Santo André e
Diadema. As medidas foram autorizadas pelo Tribunal de Justiça do Estado.
Ainda segundo o grupo Globo, o afastamento de Lima terá
duração de um ano. A PF chegou a solicitar à Justiça a prisão do prefeito de
São Bernardo, o que foi negado. Entretanto, ele precisará utilizar uma
tornozeleira eletrônica e cumprir outras medidas cautelares, como não sair de
casa à noite e aos fins de semana, não deixar o município sem autorização
judicial e não se comunicar com outros investigados.
Com o afastamento de Lima, a cidade passará a ser comandada
por sua vice, a sargento da Polícia Militar Jessica Cormick (Avante).
Outras figuras públicas da cidade, como o vereador e atual
presidente da Câmara são-bernardense, Danilo Lima (Podemos) – primo de Marcelo
– e o suplente a vereança, Ary José de Oliveira (PRTB), também aparecem entre
os investigados.
Nesta quinta-feira, Lima – que também preside o Consórcio
Intermunicipal Grande ABC - deveria participar da assembleia geral da entidade
ao lado dos demais prefeitos das cidades da região e recepcionar o ministro do
Trabalho e Emprego, Luiz Marinho. Contudo, o evento foi cancelado.
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