O Governo do Estado de São Paulo informou ter criado um novo
sistema para fortalecer o enfrentamento à violência contra a mulher, ampliar a
proteção das vítimas e evitar a subnotificação de casos. De acordo com a
administração estadual, a formalização do crime poderá ser feita imediatamente
pela Polícia Militar, já no primeiro atendimento da ocorrência, sem que a
vítima precise se deslocar até uma delegacia para registrar o boletim.
Segundo a gestão paulista, para que possa ser colocado em
prática, haverá um módulo específico para o registro de casos de violência doméstica
na plataforma do Registro Integrado de Evento de Segurança Pública (Riesp),
chamado Riesp-DV. Esse registro será imediatamente compartilhado com uma das
Delegacias de Defesa da Mulher (DDM) da Polícia Civil.
A solução veio após o Núcleo Estratégico Interdisciplinar do
programa SP Mulher, composto de policiais civis, militares e
técnico-científicos e representantes da Secretaria da Mulher, apontar que uma
das maiores dificuldades sobre o tema era justamente a subnotificação.
O grupo constatou que, em casos em que não há flagrante,
grande parte das vítimas que acionavam o 190 para pedir apoio da Polícia
Militar acabava por não seguir com o registro formal em uma delegacia da
Polícia Civil, responsável pelas investigações e pelos pedidos de medidas judiciais
contra o agressor.
Para a secretária de Políticas para a Mulher, Adriana
Liporoni, a iniciativa representa um avanço na articulação entre diferentes
órgãos do estado. “A violência doméstica exige uma resposta rápida e
coordenada. Ao integrar as polícias e a rede de proteção desde o primeiro
atendimento, garantimos que a mulher não fique sozinha no momento em que decide
pedir ajuda”, afirmou.
Com o novo sistema, o policial militar poderá, ainda no
local da ocorrência e com a autorização da vítima, registrar o boletim de
ocorrência. As informações serão integradas à Delegacia de Defesa da Mulher
(DDM) Online, que fará a análise do caso e dará andamento aos procedimentos de
polícia judiciária necessários.
A iniciativa, ainda em fase de testes, deve começar em
Santos até o fim deste mês. A expectativa é que o sistema seja expandido para
todo o estado de São Paulo nos próximos meses.
“Essa comunicação conjunta vai ser muito importante para a
mulher. Nós vamos saber que ali há um problema, pois todos os casos serão
automaticamente compartilhados com a Polícia Civil, que também registrará no
seu sistema para adoção das demais providências legais”, afirmou o secretário
da Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves.
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