Editorial - Bola dentro

Por Portal Opinião Pública 01/10/2026 - 15:08 hs
Foto: Freepik.com / Reprodução

O governo federal assinou, na última sexta-feira (25), uma Medida Provisória (a MP 1.394/2026), confirmando a proibição da operação de casas de apostas, as populares “Bets”, no país. A definição vale tanto para as que realizam apostas esportivas quanto para plataformas de jogos online, e abrange ambientes físicos e virtuais.

A decisão, como era de se esperar, causou polêmica. Quem era a favor do fim das bets no Brasil, comemorou a ação. Já quem se opõe ao fim das operações de casas de apostas, apontou a medida como eleitoreira – afinal, estamos em semana de eleição – argumentando, entre outras coisas, que itens hoje regularizados como a venda de álcool e cigarros, também causam tantos problemas quanto as apostas. Mas ainda que essa discussão possa ser mais ampla, é impossível negar os impactos negativos, tanto em nível pessoal para a população, como também para o desenvolvimento econômico de determinados setores, que as bets causaram no país nos últimos anos.

Segundo dados oficiais da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda (SPA-MF), as casas de apostas arrecadaram de receita bruta cerca de R$ 37 bilhões no Brasil somente em 2025. Foram R$ 220,6 bilhões apostados pelos brasileiros nas plataformas, com o pagamento de R$ 183,7 bilhões em prêmios aos apostadores.

Já o Boletim Fiscal dos Estados Brasileiros, estudo elaborado pelo Comitê Nacional de Secretários de Fazenda dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz), em parceria com o Centro Internacional Celso Furtado de Políticas para o Desenvolvimento (Cicef), apontou que as bets movimentaram R$ 62,5 bilhões em saídas do orçamento dos brasileiros no último ano. Dinheiro esse que deveria estar sendo utilizado dentro de vários setores da economia nacional, mas que estava indo para apenas um segmento.

Com uma propaganda ostensiva nos meios de comunicação e redes sociais, as casas de apostas e as plataformas de jogos online se tornaram parte do cotidiano de muitas pessoas. E aquilo que era para ser uma atividade de entretenimento e diversão, tornou-se algo perigoso que gerou um enorme problema de saúde pública, com o aumento nos casos de ludopatia. Pessoas se endividaram, perderam dinheiro, bens e até a vida, por conta do vício.

Independente do momento, a proibição das bets no país, mesmo que por meio de uma Medida Provisória que tem prazo de 120 dias para se tornar lei, é algo que precisava ser feito para que não continuasse causando problemas à sociedade, tornando-se um problema ainda maior do que já é. Com certeza haverá efeitos colaterais, mas afastar a população deste mal, era essencial.