Lula vira no segundo turno e é reeleito para seu quarto mandato como presidente do Brasil

Por Portal Opinião Pública 29/10/2026 - 11:33 hs
Foto: Reprodução / Instagram @lulaoficial

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceu, no último domingo (25), o segundo turno das eleições presidenciais no Brasil, conquistando assim seu quarto mandato à frente do país. Após ser superado por seu principal adversário, o senador Flávio Bolsonaro (PL), no primeiro turno, o petista se tornou o primeiro candidato a virar uma disputa entre os dois turnos, em um pleito marcado por outro fato inédito nos pleitos nacionais: a prorrogação no horário de votação, determinado pelo STF (Supremo Tribunal Federal).

Ao todo, Lula obteve 64,2 milhões de votos, o que representou 51,78% dos votos válidos, diante de 59,8 milhões de Bolsonaro, que terminou a apuração com 48,22% da preferência entre os eleitores que votaram no domingo. Com isso, o petista aumentou em quase 11 milhões o número de sufrágios conquistados no primeiro turno, enquanto seu rival cresceu com pouco mais de três milhões de votos.

A apuração mostrou uma disputa bastante acirrada desde o início, com Lula a frente nos primeiros momentos da contagem. Pouco tempo depois, Bolsonaro passou à liderança do pleito, mas sem conseguir se distanciar. Com pouco mais de 50% das urnas apuradas, Lula retomou a dianteira e daí em diante, não a perdeu mais até que às 21h08 o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) anunciou sua reeleição, quando 97,69% dos votos haviam sido contabilizados.

Na comparação com o primeiro turno, disputado em 4 de outubro, houve uma queda na abstenção dos eleitores, que passou de 21% para 19,2%, o que significa que cerca de 2,9 milhões de eleitores a mais decidiram comparecer às urnas neste domingo. Foi a menor taxa de abstenção em segundo turno desde 2018.

Essa foi a primeira vez que um candidato derrotado no primeiro turno conseguiu virar a disputa. No primeiro turno, Flavio Bolsonaro liderou a preferência popular com 47,03% dos votos válidos (56,1 milhões de sufrágios) contra 45,16% de Lula (53,8 milhões de votos).

Lula também passa a ser o único presidente da história do Brasil a ser eleito quatro vezes e reeleito em duas oportunidades distintas, tendo vencido os pleitos de 2002, 2006, 2022 e 2026. Somente Rodrigues Alves (1902 e 1918, tendo falecido antes de assumir o segundo mandato), Fernando Henrique Cardoso (1994 e 1998) e Dilma Rousseff (2010 e 2014) conseguiram ser eleitos mais de uma vez em eleições diretas.

Com a vitória, Lula será reempossado presidente do país no dia 5 de janeiro, em Brasília. 

Prorrogação inédita 

A disputa apertada entre Lula e Flávio Bolsonaro contou ainda com um capítulo inédito nas eleições gerais, desde a redemocratização do país. Uma decisão do ministro Cristiano Zanin, do STF (Superior Tribunal Federal), prorrogou o período de votação em duas horas. Com isso, várias seções eleitorais, que deveriam ser fechadas às 17h, ficaram abertas até as 19h, para que alguns eleitores tivessem mais tempo para chegar.

A medida atendeu pedidos das duas candidaturas. No início da tarde, a coligação de Lula enviou uma petição junto ao TSE e ao STF solicitando a prorrogação do horário de votação em nove estados (São Paulo, Alagoas, Pernambuco, Roraima, Piauí, Paraíba, Pará, Paraná e Rio de Janeiro), alegando que falhas no transporte público em diversas cidades estavam prejudicando a chegada de eleitores às suas seções de votação.

Pouco depois, foi a vez da campanha de Bolsonaro pedir a prorrogação do período em cidades de cinco estados (Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo e Santa Catarina), alegando que as fortes chuvas também traziam prejuízo ao eleitorado.

Na decisão, Zanin estabeleceu que a prorrogação valia para todo o território nacional. Entretanto, pouco depois a determinação passou a valer apenas para as seções que ainda estivessem abertas no momento da decisão, por volta das 17h, horário previsto para o término do pleito. Na sequência, o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, emitiu um ofício orientando o cumprimento da medida, o que paralisou a apuração.