A OMS (Organização Mundial de Saúde) emitiu alerta para possível terceira onda de surto de febre amarela no Brasil. No Grande ABC, segundo dados informados pelas prefeituras (exceto Rio Grande da Serra), a cobertura vacinal – método eficaz de evitar a doença – chega a 55% da população, ou seja, quase metade dos habitantes da região ainda não foi imunizada. Apenas São Caetano atingiu o índice considerado ideal pela OMS, de mais de 95% dos moradores vacinados.
De acordo com o CVE (Centro de Vigilância Epidemiológica) do Estado de São Paulo, de 1º de janeiro até o momento, foram confirmados 32 casos autóctones de febre amarela silvestre no Estado. Destes, nove evoluíram para o óbito. Em 2018, houve 502 casos e 175 mortes. Em 2017, foram 74 casos e 38 óbitos.
Médico infectologista e reitor da FMABC (Faculdade de Medicina do ABC), David Uip, destacou que, no ano passado, quando São Paulo viveu surto da doença, a febre amarela entrou no Estado pelas divisas com Minas Gerais. O recente vazamento de rejeitos ocorrido em uma barragem da Vale na cidade mineira de Brumadinho e a consequente morte do Rio Paraopeba podem ser eventos que influenciem no cenário geral, avaliou o médico. “É um grande desequilíbrio no ecossistema”, pontuou. O mosquito Aedes aegypti transmite a doença em área urbana.
Mauá capacitou os agentes comunitários de saúde sobre a importância de incentivar a vacinação. As doses estão disponíveis em todas as unidades de saúde. A cidade não teve nenhum caso ano passado.
Visitantes do Zoo devem se vacinar
O Zoológico e o Jardim Botânico de São Paulo recomendam que apenas pessoas imunizadas contra a febre amarela visitem os espaços, na Capital. A ação é preventiva e foi definida conjuntamente pelas secretarias de Estado da Saúde e de Infraestrutura e Meio Ambiente, em 8 de fevereiro, quando foi confirmada a contaminação de um macaco pelo vírus. O bugio está vivo, isolado e sob monitoramento.
Além disso, a Prefeitura de São Paulo promete reforçar a vacinação no entorno do local, situado na região Sudoeste do município, que fará vacinação casa a casa em torno do ponto turístico, distância estimada de alcance do voo do vetor – a febre amarela silvestre é transmitida pelos mosquitos Sabethes ou Haemagogus. O mosquito Aedes aegypti só se torna transmissor da doença decorrente de área urbana. A vacina está disponível na rotina dos postos da rede pública de saúde e leva dez dias para garantir proteção efetiva.
Todos os paulistas devem se vacinar contra a febre amarela, caso ainda não estejam imunizados. Moradores de qualquer região de São Paulo precisam se prevenir contra o vírus, sobretudo aqueles que residem ou visitam áreas rurais, de mata e ribeirinhas, onde há vegetação densa.
“Aos que tomarem a vacina em período inferior a dez dias, recomendamos que evitem adentrar áreas verdes e usem repelente, roupas compridas e de cor clara para reforçar a prevenção”, orientou a diretora de imunização da Secretaria de Estado da Saúde, Helena Sato.
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