Skatista de Rio Grande da Serra se destaca por talento e estilo em campeonatos da região

Por Portal Opinião Pública 03/05/2019 - 16:27 hs
Foto: Divulgação

 

Quem acompanha, com frequência, os campeonatos infantis de skate realizados em várias cidades de São Paulo, certamente já deve ter visto uma pequena e talentosa garota que, com um estilo inconfundível na hora de andar e de se vestir - juntando vestido, skate colorido e capacete moicano - tem se destacado enfrentando adversárias geralmente mais velhas. O nome dela é Luiza Gama, também conhecida pelo apelido Lulu SKT.

Moradora de Rio Grande da Serra, Lulu é considerada um talento precoce da modalidade. Com apenas oito anos de idade, a pequena acumula participações em cerca de 50 campeonatos e já tem uma considerável coleção de vitórias, troféus e medalhas, entre campeonatos regionais e até um título brasileiro na categoria infantil. Tudo isso fruto de algo que surgiu de forma natural e espontânea em sua vida.

Filha dos professores Alex da Gama e Débora Pereira Oliveira, a pequena skatista iniciou no esporte de forma bem peculiar - já que seus pais nunca tinham tido qualquer contato com o esporte – dentro do projeto social “Skatescola”, comandado pelos professores e skatistas Vanderley Arame e Elber Bereta na pista de skate de Rio Grande da Serra.

“Nós temos uma tia que mora em frente a pista de skate de Rio Grande (da Serra). Aí estava começando um projeto em que o pessoal já tinha os materiais, o skate, joelheira, cotoveleira e capacete. Conhecemos também os professores, o Vanderley Arame e o Bereta e ela se encantou com os dois e disse que era isso o que ela queria”, recordou-se Alex, que ficou impressionado com a naturalidade com que a filha se adaptou ao esporte.

“Na primeira aula os professores já viram que ela tinha jeito. Então ela começou a fazer as aulas e nos primeiros meses os professores já disseram que eu podia levá-la para campeonatos, porque a Luiza estava se destacando. E daí em diante não paramos mais”, disse o orgulhoso pai, que revelou ainda ter se preocupado, logo no início, com a periculosidade do esporte. Hoje, tanto ele quanto a esposa já estão mais acostumados.

Entretanto, os primeiros bons resultados de Lulu nas pistas de skate não trouxeram apenas elogios. Segundo Alex, muitas pessoas questionavam a opção feita por ele e por sua esposa de apoiarem a filha no esporte. As “sugestões”, contudo, não desanimaram a família.

“Quando abrimos contas para ela no Instagram e no Facebook, e ela começou a se destacar, muita gente começou a falar que isso era coisa de menino, que deveríamos colocar ela pra fazer balé... mas tanto eu, como a mãe dela e a própria Lu dizíamos que era isso mesmo o que ela queria e estamos sempre apoiando”, afirmou Alex.

O destaque precoce de Lulu nas pistas, claro, não passou despercebido quando ela começou a competir. Com um jeito espontâneo e “cara de pau”, como frisou Alex, a skatista mirim ainda carrega a leveza e a inocência infantil de querer entrar na pista apenas para se divertir. E ela não passa por um lugar sem ser notada, tanto pelo talento, mas também pelo estilo inconfundível.

Mesmo trajando todo o equipamento de segurança – composto por capacete, joelheiras, luvas e cotoveleiras - para correr menos riscos nas pistas, Lulu não dispensa o vestido na hora de competir, ao contrário de muitas outras meninas, que preferem vestir calça ou shorts e camiseta. Além disso, Luiza possui um capacete moicano totalmente estilizado e criado por ela própria. E nem mesmo o seu skate escapa de mudanças, já que ela costuma pintá-lo.

“Sempre gostei de artes, de pintar, desenhar. Aí eu falei: ‘pai, que tal a gente pintar a lixa, fazer um pouco diferente, fazer uns desenhos’”, contou a pequena, que admitiu sempre pedir a ajuda do pai para esse ‘trabalhinho’. “Mas eu também dou uma forcinha”, disse Lulu, rindo. 

Talento que une a família e abre portas 

Por ser filha única, Luiza recebe toda a atenção e auxilio de seus pais para qualquer coisa que precisar. Porém, o apoio irrestrito à pequena skatista se expandiu por toda a família. Segundo Alex, todos colaboram como podem para ajudar Lulu a seguir competindo praticamente toda semana.

“Tentamos fazer tudo por ela. Até mesmo os tios e os avós. Os campeonatos mesmo, a maioria são pagos e se fossemos pagar todos, não teríamos condições. Então, eles ajudam”, afirmou Alex.

O destaque da Luiza na modalidade também abriu portas para ela. Hoje, a pequena conta com o apoio de algumas lojas de Rio Grande da Serra e de Ribeirão Pires, e até mesmo de um salão de cabeleireiro. Além disso, Lulu ganhou duas bolsas de estudos, uma para um curso de inglês – que ela já tem frequentado – e outra para uma escola particular da cidade. Seus pais, contudo, acharam melhor deixá-la no colégio onde ela estuda atualmente, por confiarem na metodologia de ensino e por ela já estar adaptada.

“O skate só está agregando para ela”, avaliou Alex. 

Pista particular na sala de casa 

Quem conhece Rio Grande da Serra sabe que a instabilidade climática é uma das características da cidade. E para fugir do constante mau tempo e das chuvas que muitas vezes impediam a pequena Luiza de treinar na pista aberta da cidade, Alex teve uma ideia inusitada, mas que deu ótimos resultados: ele e sua esposa resolveram fazer para a filha uma mini rampa na sala de sua casa para que Lulu pudesse treinar sem precisar depender do clima da cidade.

“A principio eu iria fazer essa mini pista para ela na garagem, mas minha esposa não deixou. Então, como paramos pouco em casa, decidimos fazê-la na sala”, divertiu-se Alex contando a peripécia. Ele continuou. “Tiramos o sofá da sala e fizemos essa mini rampa lá mesmo. A maior parte dela foi feita com material reciclável, após pegarmos tutoriais. Só comprei mesmo o MDF para fazer o tampo”, contou Alex, que revelou ainda que essa ideia trouxe maior controle sobre os horários de treino da filha, o que é fundamental para que as atividades escolares, por exemplo, não acabassem sendo atrapalhadas.

A ideia peculiar chamou tanto a atenção que o grafiteiro Robson Melancia se ofereceu para pintar o rosto de Luiza na parede da sala/pista de skate, trabalho que tanto a pequena quanto seus pais adoraram.

Quanto a planos para uma futura carreira profissional de Luiza no esporte, Alex analisa que ainda é muito cedo para pensar nisso. O que ele e sua esposa querem mesmo é que a filha se divirta fazendo aquilo que gosta.

“O futuro só a Deus pertence. Eu falo para a Lu que enquanto ela estiver se divertindo, estiver gostando do que está fazendo, estaremos com ela, porque não queremos tornar isso em algo massacrante para ela. Não estamos a procura de ganhar dinheiro com a Luiza. Ela tem que se divertir”, encerrou.