Preço da gasolina passa de R$ 4 no Grande ABC

Por Portal Opinião Pública 16/01/2018 - 12:02 hs
Foto: Agência Brasil

O preço da gasolina no Grande ABC chegou à média de R$ 3,97 neste início de ano, mas já pode ser encontrado acima de R$ 4 em diversos postos.

Esse patamar, que nunca tinha sido atingido antes na região, é explicado pela política de reajustes de preços do combustível da Petrobras, que desde meados do ano passado passou a balizar o valor conforme o custo do petróleo, o que é influenciado por questões geopolíticas internacionais.

Desde julho, quando a gasolina custava R$ 3,31, o litro encareceu 20%, equivalentes a R$ 0,66. Mesmo com o preço alto, o abastecimento com gasolina ainda é mais vantajoso do que com o etanol, que tem valor médio de R$ 2,86.

Os dados foram disponibilizados pela ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), que considera estabelecimentos comerciais que emitiram notas fiscais em seis cidades da região, ao longo da última semana. O valor do combustível pode variar 1,73%, sendo que a cidade com a maior média de preços é São Caetano (R$ 4,04) e, a menor, Santo André (R$ 3,97).

O consumidor, no entanto, fica sem saída, já que o etanol, que não faz parte dessa política de preços da Petrobras, subiu mais que a gasolina: 26%. Os valores nas bombas da região saltaram de R$ 2,27 para R$ 2,86 – aumento de R$ 0,59. Para que o abastecimento com o álcool fosse vantajoso, pelo fato de durar menos, ele precisaria custar até R$ 2,77, ou seja, 70% do valor do derivado do petróleo.

Conforme a especialista e pesquisadora da FGV (Fundação Getúlio Vargas) Energia Fernanda Delgado, a alta do preço da gasolina influencia no valor do etanol por conta do crescimento da procura por uma alternativa mais econômica.

“Esse é um cenário que se refletiu no País inteiro. Com a alta da gasolina, o consumidor busca por outros combustíveis, o que aumenta a demanda e joga o preço lá para cima. Muitas vezes, o etanol não compensa para todos os tipos de motores. No entanto, ele é mais recomendado para quem vai fazer entregas e anda na estrada, sem muitas paradas durante o dia, ao contrário do que acontece nos centros urbanos por conta de semáforos e trânsito”, afirmou.

A explicação para a constante alta nos preços da gasolina, que leva junto o etanol, é o cenário de tensões do Oriente Médio e até mesmo eventos climáticos no Golfo do México. “No fim do ano passado, a Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) decidiu fazer corte de produção, o que enxugou a quantidade de petróleo produzido e pressionou os preços para cima.

Outra questão é o processo de abertura de capital da Saudi Aramco (maior petroleira estatal do mundo), cenário me que é interessante que as commodities estejam mais caras, para mostrar a valorização do negócio. O mercado está com essa tendência de inflação, o que deve seguir nos próximos meses.

Fonte: Diário do Grande ABC