Antes de falarmos sobre a mulher na política, precisamos discutir a representatividade da mulher. O Brasil tem vivenciado uma progressão no debate público em torno das questões femininas. Temas como assédio, aborto, maternidade, carreira, violência doméstica e feminicídio vêm sendo discutidos amplamente na sociedade e ganhado espaço no cenário político. Porém, no que tange a representatividade das mulheres na política, esse debate ainda se encontra muito distante do desejado.
Muitas mulheres têm dificuldades para ocupar cargos de poder, serem eleitas ou terem voz ativa nas tomadas de decisões políticas. E isso acontece devido a nossa exclusão histórica nesta área, que é refletida até os dias atuais, com a baixa representatividade feminina. E para falar de mulher na política, precisamos lembrar as cotas por sexo e o legislativo brasileiro.
Inseridas em um contexto mais amplo das ações afirmativas, a política de cotas é a medida que visa alterar variados quadros de desigualdades racial, étnica, sexual e social. E neste caso, tal ação afirmativa busca criar condições para o estabelecimento de um maior equilíbrio entre homens e mulheres na representação política.
Temos de ter representações de todos os segmentos e precisamos ter consciência de que não somos diferentes, somos apenas segmentos da sociedade e por isso mesmo somos diferentes só no momento em que queremos igualdade.
Acredito que nunca foi tão necessária a presença da mulher na política, não somente pela questão do direito a igualdade, mas também pela sensibilidade que temos. A mulher, que hoje chefia a família brasileira, precisa e deve participar da vida política cada vez mais. E quando falo participar da vida política, não estou fazendo referência apenas a filiar-se a um partido ou ser candidata a um cargo eletivo, mas principalmente participando da luta social de modo geral.
É claro que poder e política não são exatamente a mesma coisa e que muitas mulheres exercendo cargos políticos, ainda sentem-se excluídas. Precisamos esclarecer que política é algo diferente do poder e que deve ser vivida no cotidiano, como exercício de cidadania.
Além disso, a sensibilidade feminina é vista como contraponto a um padrão masculino de governar. Não podemos reproduzir a forma autoritária, centralizadora, dominadora e patriarcal de exercer o poder.
Enfim, precisamos mudar o atual modelo que não serve para a maioria da população. Não serve para nós, que somos a maioria, e principalmente para quem quer se espelhar em nós. Para que a sociedade seja mais ética, mais justa, mais fraterna, enfim, para termos mais sensibilidade é preciso ter mais mulheres!
Dra. Risele Borges, Psicóloga e Advogada
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