Caso de São Bernardo não é de febre amarela urbana, diz coordenador de secretaria

Por Portal Opinião Pública 07/02/2018 - 10:27 hs
Foto: Secretaria da Saúde do RS / Divulgação / CP

O coordenador de Controle de Doenças da Secretaria de Saúde de Saúde, Marcos Boulos, descartou na terça-feira (6), a possibilidade de o caso da febre amarela confirmado na segunda-feira (5), em São Bernardo do Campo, ser urbano. “Não há nenhum risco”, afirmou.

Boulos argumentou que a forma urbana da doença, transmitida pela picada do Aedes aegypti infectado, geralmente ocorre com grandes concentrações de casos.

“Na febre amarela urbana, não há infecções isoladas. Um paciente aqui, outro ali. Os casos vêm em grande quantidade. Isso já teria chamado a atenção”, afirmou o coordenador, que também é professor de infectologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP).

Ele faz um grande paralelo com a dengue, também transmitida pelo mosquito Aedes aegypti. “Quando os surtos de dengue acontecem, eles vêm sempre em grande número de casos”.

O caso da febre amarela de São Bernardo confirmado na segunda-feira trata-se de um homem de 35 anos que não saiu do município e, justamente por isso, o caso é considerado autóctone – a infecção ocorreu na própria cidade. Outras duas ocorrências estavam em investigação. O caso autóctone despertou a suspeita de a forma urbana da doença ter retornado ao País. Desde 1942, o Brasil não registra casos de febre amarela transmitidos por Aedes aegypti.

Checagem

Para afastar essa hipótese, além de citar o número restrito de casos, Boulos argumenta que são realizadas com frequência pesquisas em amostras de insetos capturados nas redondezas de casas onde vivem pacientes com suspeita de febre amarela.

Uma vez identificado e feita uma investigação clínica do caso, equipes da Superintendência de Controle de Endemias (Sucen) entram em campo. Capturam insetos, maceram tanto Aedes quanto Haemagogus (que transmite a forma silvestre da doença) em busca do vírus da febre amarela.

“Esse é um trabalho que é feito sem parar”, disse. Em nenhuma análise, afirmou, foi encontrado Aedes aegypti infectado pelo vírus da febre amarela.