Jornal Opinião Pública - O que seria esse novo
modelo denominado “distritão” em nosso sistema eleitoral?
Natália Rubinelli - Este modelo
denominado “distritão” tem como objetivo eleger os deputados mais votados nas
próximas eleições, tendo o desempenho dos partidos pouca influência, sendo
assim, acabaria enfraquecendo as siglas e favorecendo as pessoas que já são
conhecidas e famosas.
JOP - Em sua opinião, qual seria o melhor modelo
para as eleições?
NR - Sempre que estamos perto de um novo período
eleitoral, começam as discussões sobre mudanças em nosso sistema eleitoral, e
este ano não seria diferente, e um dos temas que está sendo debatido é o
chamado “distritão”, que vem gerando polêmica e diversos questionamentos. Contudo,
o modelo “proporcional” ainda consegue, a meu ver, ser o mais democrático, pois
garante o pluralismo político e representação das minorias.
JOP - Quais seriam os prós e contras deste modelo que
está sendo discutido denominado “distritão”?
NR - O “distritão” favorece o personalismo e enfraquece
os partidos políticos. Para diversos especialistas, esse modelo proposto
acabaria por descartar diversos votos, fazendo valer apenas os votos dos mais
votados. Além disso, os candidatos que detêm maior poder aquisitivo terão maior
vantagem em detrimento de candidatos pouco conhecidos, que precisariam de maior
investimento e tempo para divulgar a sua campanha. Contudo, uma das
justificativas para o “distritão” seria a simplicidade de um modelo que elege
apenas os mais votados, tendo em vista que muitos entendem que o sistema
proporcional se utiliza de um mecanismo muito complexo para a distribuição das
vagas.
JOP - Como funciona o sistema proporcional atualmente?
NR - Atualmente, o sistema em vigor é o proporcional,
pelo qual as cadeiras de deputados são distribuídas proporcionalmente com
relação à quantidade de votos recebidos pelo candidato e pelo partido. Sendo
assim, são vagas distribuídas de acordo com os votos dados aos candidatos e
também às legendas, ou seja, é feita proporcionalmente à soma total dos votos
recebida por cada partido. Mesmo parecendo um mecanismo complexo para alguns, o
principal objetivo deste modelo proporcional é aumentar a representatividade,
fortalecendo os partidos e fazendo com que a vontade do eleitorado seja considerada
como um todo.
JOP - Então você entende que o distritão seria mais
benéfico para candidatos mais conhecidos e enfraqueceria os partidos políticos?
NR - Com o “distritão” não teremos a eleição
proporcional para a Câmara, de modo que os mais votados irão se beneficiar
independente do cálculo partidário. Em um primeiro momento, até poderia parecer
um sistema mais “coerente”, contudo, ele irá personalizar a política e os partidos
terão pouca relevância, de modo que os candidatos mais conhecidos teriam mais
chances, afetando até mesmo a renovação de nossos representantes políticos. Além
disso, de acordo com o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE),
ministro Luís Roberto Barroso, esse modelo denominado “distritão” também não
barateia as campanhas, talvez até encareça, pois enfraqueceria os partidos e
também seria dramático para a representação das minorias.
Natália
Rubinelli é advogada e especialista em Direito Eleitoral pela Escola Judiciária
Eleitoral Paulista do TRE/SP e membro da Comissão de Direito Eleitoral da
OAB-SP
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