Mauaense cria jogos que rememoram história da cidade

Por Portal Opinião Pública 21/01/2022 - 14:49 hs
Foto: Divulgação

Desde seu início no Brasil, em março de 2020, as restrições impostas pela pandemia de coronavírus fizeram com que muitas pessoas passassem a ficar mais tempo em suas casas do que costumeiramente faziam. E para aproveitar essa nova realidade da melhor maneira, muitos brasileiros passaram a dedicar tempo a práticas que poderiam ser realizadas dentro da segurança dos lares. Houve quem se arriscou na culinária; outros resolveram colocar a leitura em dia; tiveram ainda aqueles que decidiram maratonar filmes e séries na TV ou nos serviços de streaming; entre outras atividades. 

E neste período, um tipo de passatempo que cresceu bastante foram os jogos de tabuleiro. Muitas lojas online registraram aumento nas vendas destes itens, que voltaram a cair nas graças de jovens e adultos. Porém, existem pessoas que foram além, como é o caso do educador social Thiago Almeida, de 35 anos. Morador de Mauá, ele criou dois jogos que têm a cidade como temática principal. O primeiro deles é o “Jogo da Memória da Memória de Mauá”, que conta com cartas que representam 24 pontos importantes da cidade. O outro é o jogo “Nossa Mauá de ponta a ponta”, um jogo de tabuleiro de 20 casas que também passa por lugares icônicos do município. 

Segundo Almeida, a ideia por trás da criação dos passatempos tem dois motivos básicos: o primeiro foi criar uma forma de se divertir com sua família, diante da inviabilidade de frequentarem os espaços habituais da cidade durante a pandemia. E o segundo foi estimular o interesse de quem tiver contato com os jogos em conhecer melhor a história de Mauá.

“Sou pai de três filhos e o mais velho, de seis anos, sentiu esse impacto de não estar com os amigos e nos espaços que frequentava, como parques, shopping, escola, museu, teatro, etc... Daí, num momento de luz, pensamos nos pontos turísticos de Mauá e em locais que íamos com frequência. Aproveitei pra inserir locais que ele não conhecia. Por ser educador social, senti essa necessidade de trazer esse assunto pouco falado, que é a importância do resgate da nossa história local, seja de Mauá ou do Grande ABC como um todo”, explicou. 

Com uma proposta lúdica, os jogos são bastante simples e agradam pessoas de qualquer idade ao mesmo tempo que ensinam um pouco mais sobre a história mauaense. Além disso, eles também atendem outra necessidade: a financeira. Mesmo com o aumento na procura por itens como esses nas lojas, grande parcela da população não possui acesso ou condição monetária de arcar com alguns dos passatempos mais vendidos. Desta maneira, Almeida resolveu disponibilizar gratuitamente os jogos para que mais pessoas tivessem condições de possuí-los, uma vez que eles podem ser impressos em casa. 

“Foi um protótipo, algo simples mesmo, feito com muito carinho e pensado até pra quem tiver recurso mínimo conseguir ter. Imprimir numa folha de sulfite e sair brincando com os filhos, nas escolas, nas ONGs, enfim. Mas ficaríamos muito felizes se o poder público ou até a iniciativa privada fizessem eles chegarem a mais gente”, pontuou. “Queria destacar a praticidade do jogo, ainda mais em uma época do ano onde as questões de jogos e presentes giram em torno financeiro”, acrescentou. 

Em relação aos feedbacks sobre os dois passatempos, Thiago avaliou que ambos foram muito bem recebidos. No caso de seus filhos (o mais velho contribuiu com os processos de construção e divulgação dos jogos), o educador social ressaltou que eles passaram a se interessar mais sobre a história da cidade. “Eles gostam muito, pois serviu de alternativa pra gente poder sair de forma lúdica de casa em meio a pandemia. E mesmo depois que retomamos a possibilidade de ir aos locais, ficou mais interessante ainda, devido termos ido ‘antes’ por meio do jogo. Os locais que ainda não tínhamos ido, como o marco de pedra e o cruzeiro, além do museu, foi bem legal quando fomos juntos. Até hoje quando passamos eles reconhecem os pontos da cidade. Sempre citam ou perguntam e sempre estão em busca de mais lugares, dos quais não lembramos nesse primeiro jogo. Acho que já querem a versão dois”, contou o orgulhoso pai. 

Já os retornos externos também foram bastante positivos segundo ele. Para Thiago, os mauaenses que tiveram contato com os jogos passaram a desfrutar de um sentimento maior de pertencimento ao município e às suas origens, o que torna a experiência, tanto de quem usufrui dos passatempos, como de seu criador, muito mais construtiva. 

“Algumas pessoas deram feedback positivo, brincaram e exploraram os jogos. Algumas professoras da rede municipal que tiveram contato e levaram (os jogos) para as salas, nas aulas presenciais em escala híbrida, ou mandaram aos pais pra jogar com os filhos em casa. Vejo que gera uma ideia de pertencimento, de origem e entendimento de onde estamos, justamente, compreendemos o que já passamos. No caso de Mauá, que é uma cidade de imigrantes, de operários, é muito importante esse resgate histórico. Saber nomes de praças, ruas, os marcos, os pontos de encontro, os personagens e a história em sua, além de enriquecedor culturalmente, ajuda a manter nossa história regional viva e potente”, encerrou. 

Para quem tiver interesse em obter os jogos basta entrar em contato pelo e-mail thiago.s.almeida@gmail.com.