Candidata a vereadora mais votada nas últimas eleições em Mauá, Gabriela Torres acredita em construção política no cotidiano dos cidadãos

Por Portal Opinião Pública 15/06/2022 - 10:46 hs
Foto: Divulgação
Candidata a vereadora mais votada nas últimas eleições em Mauá, Gabriela Torres acredita em construção política no cotidiano dos cidadãos
Para Gabriela Torres, UP é diferente, pois seus integrantes vêm e vivem em bairros periféricos

Com um discurso potente ao usar a “Tribuna Livre” durante a primeira sessão ordinária da Câmara de Mauá em abril deste ano, a jovem designer Gabriela Torres, de 21 anos, fez um desabafo sobre a difícil situação que muitos cidadãos mauaenses têm passado nos últimos anos, devido à crise econômica, ao aumento dos índices de desemprego e a outros problemas que têm tirado a paz de uma parcela sofrida da população. O que poucos sabiam, no entanto, era que ela esteve próxima de ocupar uma das 23 cadeiras da Casa.

Filiada a UP (Unidade Popular), partido que conseguiu seu registro eleitoral em 2019 e disputou as eleições pela primeira vez no ano seguinte, Gabriela foi um dos grandes destaques nas últimas eleições municipais, sendo a 27ª candidata mais votada na cidade e a primeira mulher da lista. A cadeira não veio graças a regra de coeficiente eleitoral, mas o caminho do grupo, que teve ainda Amanda Bispo como a sétima mais votada na corrida pelo Executivo, à frente de nomes importantes no cenário político mauaense, como a ex-deputada estadual Vanessa Damo e o ex-vereador Professor Betinho, estava sendo pavimentado. E hoje, ela e a sigla tem buscado expandir esse trabalho.

Mesmo com o pouco tempo como partido político formalizado, a Unidade Popular possui uma atuação considerável na cidade. Segundo Gabriela, a estrutura da legenda se organiza através de núcleos espalhados por vários bairros e foca suas ações nas pautas levantadas pela população local, como ela cita em uma situação ocorrida no Jardim Cerqueira Leite.

“Temos um núcleo no Cerqueira Leite e lá existe um problema muito sério com relação a coleta de lixo. Não tem coleta seletiva e os pontos de coleta, principalmente das favelas e becos, são muito precarizados. A lixeira que tem lá estava quebrada, o caminhão não passava há muito tempo e isso deixa os moradores em condições absurdas. A gente se organizou, fizemos um abaixo-assinado e levamos os moradores para a Câmara dos Vereadores (para expor a situação e cobrar medidas). Então (o trabalho) é sempre pautado na realidade do que a gente vive e na possibilidade de transformação dessa realidade, com base na vivência de cada bairro”, explicou a ex-candidata a vereadora. Para ela, a forte atuação do grupo nas periferias tem um motivo bastante claro, inclusive. “Nós somos diferentes porque não vamos às periferias, nós saímos das periferias”, acrescentou.

Aliás, quando o assunto são as principais demandas da população mauaense, ela lista quatro pontos que vê como as principais reclamações na cidade. “O que chega principalmente pra gente são (denúncias de) violência contra a mulher. Aconteceram três feminicídios nas últimas quatro semanas em Mauá (...); a questão do desemprego e do trabalho informal. Tivemos essa última feira (Feirão do Trabalho) que inclusive foi uma expressão clara disso: 10 mil trabalhadores para duas mil vagas, com vagas que pagavam R$ 500, R$ 600 (...); a questão da saúde aparece muito também. A situação das UBSs e das UPAs, que falta água, que falta médico, que às vezes não tem uma dipirona (...); e o transporte público. Estamos pagando R$ 5 para andar entre os bairros, com o Bogus ou o Aracy (duas das linhas municipais) que passam de uma em uma hora. É mais barato ir hoje para São Paulo, para Jundiaí do que ir até a Vila Mercedes”, destacou.

Outro tema abordado por Gabriela é a necessidade de ampliar a representatividade feminina na política. “Quando você entra na Câmara dos Vereadores e olha para as pessoas que estão ocupando aquelas cadeiras, já fica claro que existe uma falta de representação popular porque não existem mulheres. A maior parte da população de Mauá é de mulheres, somos mais do que 50%. E isso se reflete na própria forma de se fazer política na Câmara. Nós que somos mulheres sabemos o que é viver na pele a realidade de violência, de pressão. Somos a maior parte das desempregadas, das terceirizadas, das que passam perrengues. E a Câmara de Vereadores atualmente, na minha opinião, não é um espaço onde as mulheres se sentem confortáveis para trazer suas demandas e construir política. Por isso precisamos como organização e como partido político nos movimentarmos nesse sentido, de trazer mais mulheres para esses espaços de poder”, avaliou.

Já sobre sua experiência nas urnas, Gabriela diz não ter se frustrado com a quase eleição no ano passado. Muito pelo contrário. O resultado das urnas é visto com otimismo, já que o processo eleitoral é encarado pelo grupo ao qual ela integra apenas como uma parte de um trabalho maior. Para ela, a construção política precisa ser concentrada no cotidiano dos cidadãos.

“A política precisa acontecer necessariamente no tête-à-tête, no cotidiano, através das lutas pequenas, das lutas de bairro, destas pequenas vitórias que vão conseguir dar uma autoestima para aquela mãe, que mora na favela, mas não sabe que pode mudar sua realidade, que pode viver uma coisa diferente”, opinou.