Por Monica Rosenberg
O Brasil é um país corrompido. Infelizmente essa é a percepção da
maioria dos brasileiros e de muitas pessoas em todo o mundo. Mais infelizmente
ainda, eles não estão errados.
Ocupamos a posição 98 no ranking de 180 países avaliados no Índice
de Percepção da Corrupção – IPC, publicado anualmente pela Transparência
Internacional, ONG alemã que monitora a corrupção no mundo.
Este índice é considerado o principal indicador da corrupção
global. Nele são atribuídas notas de 0 a 100, sendo que quanto maior a nota,
menor é a percepção de corrupção no país. A nossa percepção de corrupção tem
nota 38. A maior nota de 2021 foi obtida pela Dinamarca, 88 pontos, e o pior
resultado foi o do Sudão do Sul, com apenas 11 pontos.
Nossa situação é triste e revoltante, mas de forma alguma
surpreendente. Vivemos no Brasil uma sucessão de escândalos com repercussão
internacional. Passamos nas últimas décadas por Mensalão, Petrolão, prisão de
ex-presidente, eleição de político carreirista com família envolvida em
escândalos de rachadinha, corrupção com dinheiro da educação destinado a
pastores... Enfim, incontáveis vergonhas.
Em todas elas, não vimos punição. Não assistimos corruptos
confessos sendo execrados pela sociedade. Não tivemos correções em nossa
legislação que sinalizassem que esses crimes não compensam.
É este cenário, essa sensação de impunidade, seja no âmbito legal,
ou no social, que leva os políticos brasileiros a se sentirem confortáveis no
delito. Por que não fazer, se nada acontece àqueles que fazem? Esta é a lógica
dos imorais que dilapidam o patrimônio público, acirrando a pobreza e a falta
de assistência aos brasileiros que precisam.
Em meio à sucessão de casos de corrupção, do mais alto aos mais
baixos escalões da gestão pública, tivemos também o afrouxamento - pelo
Congresso Nacional, de leis importantes, como a Lei da Ficha Limpa e a Lei de
Improbidade Administrativa, ambas modificadas para tornar mais brandas as
punições pelo roubo ou mau uso do dinheiro público.
O problema da corrupção é um câncer no Brasil, e só vai ser
resolvido quando ampliarmos a consciência política da nossa população, e
ensinarmos cada pessoa que o seu voto pode eleger corruptos, ou pode eleger
pessoas honestas.
Estamos às vésperas de um novo pleito e temos a chance de
preencher nossas Casas Legislativas de pessoas bem-intencionadas, que querem de
fato melhorar a vida das pessoas, e não se locupletar com benesses sem sentido
oferecidas a quem deveria estar a serviço do povo.
Neste sentido, tenho muito orgulho de ser candidata a deputada
federal pelo Novo, o único partido que não usa o vergonhoso Fundo Eleitoral de
R$ 5 bilhões. Somos também os únicos que abrem mão de benefícios estapafúrdios
como carros oficiais, auxílio paletó e tantos outros penduricalhos que desviam
para o bolso de políticos o recurso que deveria estar sendo usado para fins que
interessam muitíssimo mais aos brasileiros, como saúde e educação.
A política nem sempre foi um caminho óbvio para mim. Mas como
advogada me envolvi com a pauta do combate à corrupção e fui percebendo o
quanto mudar esse cenário é crucial para o Brasil, país que tanto amo. Temos
que punir exemplarmente quem rouba dinheiro público e fiscalizar diuturnamente
quem tem as chaves dos cofres, focando na prevenção para reduzir as
oportunidades de corrupção.
Um país corrupto não educa direito, não oferece saúde digna e não
dá aos seus o mínimo necessário para prosperar. Eu sou Monica Rosenberg,
advogada, especialista em combate a corrupção e, mais do que tudo, uma cidadã
que decidiu colocar a mão no vespeiro para ajudar o Brasil.
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