Moradores do Jardim Oratório temem perder suas casas via ordem judicial

Por Portal Opinião Pública 03/11/2022 - 12:21 hs
Foto: Jornal Opinião Pública
Moradores do Jardim Oratório temem perder suas casas via ordem judicial
Famílias têm medo de deixar suas casas e não terem condições de bancar aluguel de um novo imóvel

Cerca de 15 famílias que moram na Travessa Itaparica, no Jardim Oratório, em Mauá, estão vivendo um momento de grande tensão. De acordo com relatos dos próprios munícipes, eles poderão ter de deixar suas casas por meio de uma ordem judicial, uma vez que as construções não estão regularizadas. O local onde as residências estão construídas é considerado, pela municipalidade, uma das áreas de risco da cidade.

Uma das moradoras locais que temem ter de deixar sua casa é a assistente administrativa Adriana Lima da Silva, de 35 anos. Morando há mais de 20 anos na região com sua família, ela explica que não tem intenção de deixar sua residência, já que teme passar a viver uma incerteza. “Eu tenho esperança que a gente não saia. Não queremos perder, sair de um lugar que está certo por um duvidoso”.

A assistente administrativa afirmou que essa situação veio à tona em 2019, quando a Prefeitura de Mauá – à época comandada por Alaíde Damo – iniciou a construção de um muro de arrimo na encosta em que o terreno onde as casas estão construídas fica localizado. “Primeiramente falaram que iriam fazer o saneamento básico aqui e depois vieram com essa proposta de tirar a gente e fazer esse muro. Mas acabaram fazendo o muro com a gente em nossas casas do mesmo jeito”, disse.

Adriana também questiona a possibilidade de pagamento de uma bolsa aluguel para as famílias que deixarem suas casas. Segundo a moradora, que no momento está desempregada, o valor que havia sido oferecido aos munícipes é de R$ 400, o que é considerado muito baixo para custear a locação de um novo imóvel. Além disso, ela ainda cita outros possíveis problemas que o auxílio geraria.

“O auxílio que eles estão oferecendo é uma mixaria, fora que não achamos casas. Muitos (donos de imóveis), não recebem animais e a maioria (dos moradores) têm. Tem uma pessoa que eu conheço que recebe há mais de dez anos a mixaria de R$ 300 e até hoje não sai apartamento, não sai casa, não sai nada. E a gente vai ficar ao Deus dará, a Prefeitura atrasa (o pagamento), não achamos casas”, desabafou.

Outra moradora de mais de 20 anos da região, a ajudante de cozinha Josiane Tenório da Silva, de 42 anos, reforçou o que foi dito pela vizinha, especialmente quanto ao valor de auxílio oferecido. “É um valor muito baixo para quem tem família. Tenho cinco pessoas na minha casa e não tenho condições de sair e pagar aluguel”, contou.

Já a dona de casa Aline Silva Santana Ferreira, de 32 anos, contou que a Defensoria Pública entrou em contato para agendar uma reunião na segunda-feira (7), onde será discutido um possível aumento do auxílio que será oferecido.

Moradora do local há 10 anos, porém, ela não demonstra muito otimismo com a situação. “Falar que a gente quer sair é mentira, ninguém quer sair da sua própria casa. Só que infelizmente é algo que não tem mais o que fazer”, pontuou.

Construído em 2019, o muro de arrimo foi erguido, segundo a administração da época, para diminuir o risco de deslizamentos de terra no local, especialmente em épocas de chuva. O projeto ainda contemplava a construção de um novo viário público, com uma praça e um espaço de lazer para a vizinhança e serviços de paisagismo.

Procurada, a Prefeitura de Mauá não se pronunciou sobre o assunto.