Água de reuso no Brasil: o futuro não pode esperar

Por Portal Opinião Pública 23/11/2022 - 15:51 hs
Foto: Divulgação

Por Kleber Strufaldi

O Brasil é o país que conta com a maior quantidade de água doce disponível no planeta. O território brasileiro detém 12% do total deste recurso e isso é mais do que todo o continente da Europa ou África para se ter uma ideia da riqueza em nosso país. Então, por que falar sobre água de reuso em uma região em que este é um recurso tão abundante?

Talvez esta nem seja a pergunta certa para ser feita. Afinal, no Brasil, cuidamos bem da água em todas as esferas da nossa sociedade?

Saber a resposta para essa pergunta não é muito difícil, devo reconhecer. Não fazemos um bom uso da água e alguns números nos ajudam a entender qual tema devemos discutir cada vez mais. Isso porque dados de 2020 do Instituto Trata Brasil apontam que o país desperdiça 40% de toda a água potável captada – e vale a pena ressaltar que esse número vem crescendo ano a ano.

Além disso, o estudo Manual de Usos Consuntivos da Água no Brasil mostra que o consumo de água deve crescer 24% até o fim desta década.

O ponto que quero chegar ao apontar todos estes dados é que a discussão sobre as vantagens do reuso da água, e a criação de programas e maior investimento em soluções de curto, médio e longo prazo devem acontecer agora. O futuro não pode esperar. Existem diversos propósitos para os quais a água de reuso pode ser destinada: urbano, industrial, agrícola, entre outros.

É importante ressaltar que o reuso em condomínios residenciais vem sim aumentando e esse é um ponto positivo – apesar de que este movimento precisa ser ainda mais rápido – porém acredito que o reuso no âmbito industrial deve sim ser o foco desta discussão no momento. Na Gmar Ambiental, trabalhamos e auxiliamos diariamente empresas e negócios que buscam no reuso uma solução econômica e com alto custo-benefício.

Para eles, a água de reuso pode ajudar bastante em processos de fábrica que estão ligados a limpeza, refrigeração e muitas vezes até em geração de energia. Nestes casos, a orientação que sempre oferecemos é que efluentes industriais devem sempre passar por processos de tratamento simples ou avançados a depender do tipo de demanda que tal empresa necessita.

Isso traz uma série de benefícios, e alguns deles nem são tão visíveis assim. Em questões que envolvem leis ambientais e o ESG (Environmental, Social and Governance), tendência em empresas que buscam maior visibilidade e credibilidade no mercado, práticas como o reuso da água trazem uma gama de vantagens como na qualidade de vida da população da região onde tal indústria está inserida.

Porém, não para por aí. Utilizar água de reuso é uma ação com alto custo-benefício. Estudos internos nossos na Gmar Ambiental mostram que a implantação de Estações e Sistemas de Tratamento de águas e efluentes podem gerar uma economia de até 50% na conta de água de algumas empresas – é claro, a depender da demanda envolvida no processo.

Para nível de comparação, em um dos nossos projetos realizados ao longo dos últimos cinco anos, realizamos a instalação de uma ETE que realiza o tratamento adequado de todo o esgoto gerado para ser reutilizado nos sanitários do projeto e, com a implantação do sistema, foram economizados 275 mil litros de água potável para descargas, gerando uma economia de aproximadamente R$ 5.087,00 ao mês. Ou seja, em quatro anos de operação, a economia foi em média de mais de R$244 mil.

Esse movimento é muito interessante, pois o esgoto deixa de ser algo sem valor. Ele passa a ser matéria-prima para uma empresa.

Países de primeiro mundo como Estados Unidos e Japão já veem na água de reuso parte de suas rotinas e no Brasil isso não pode ser diferente. O questionamento final que faço é: por que a água de reuso ainda não faz parte da sua realidade?