Ferroviários protestam na Câmara de Mauá contra proposta de privatização do transporte via trens

Por Portal Opinião Pública 20/04/2023 - 10:59 hs
Foto: Divulgação
Ferroviários protestam na Câmara de Mauá contra proposta de privatização do transporte via trens
Presidente do Sindicato dos Ferroviários de São Paulo discursa na tribuna da Câmara de Mauá

Um grupo de trabalhadores ferroviários compareceu, nesta terça-feira (18), ao plenário da Câmara Municipal de Mauá para apoiar um movimento realizado pelo sindicato da classe contra a proposta do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) de privatizar a administração do transporte ferroviário de passageiros no Estado. O órgão considera que a concessão do serviço à iniciativa privada seria um retrocesso para os usuários.

De acordo com o presidente do Sindicato dos Ferroviários de São Paulo, Eluiz Alves Matos, a ideia é conversar com vereadores, prefeitos e deputados que representam todas as cidades por onde passam os trens da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos).

Em Mauá – município que atende cerca de 55 mil usuários diariamente, de acordo com dados do sindicato - Matos utilizou a tribuna para criticar o atual modelo de serviço prestado pela concessionária ViaMobilidade, que assumiu as linhas 8 e 9 dos trens e vem apresentando uma série de problemas em sua operação. Segundo o Sindicato, a empresa contabiliza mais de 166 falhas no período.

"É falta de manutenção! Descarrilamentos! Vagões desgovernados! Os passageiros tendo que andar pela via férrea! Trem que não conseguiu parar na estação Júlio Prestes invadindo a plataforma. A manutenção diária é essencial, não só de trens, mas das vias, rede aérea, sinalização! Além disso, falta mão de obra especializada", enfatizou o presidente do sindicato.

O presidente também alertou que, se o governo não recuar com a ideia de acabar com a CPTM (empresa com mais de 30 anos de serviços), a situação do transporte pode piorar muito, uma vez que municípios como Mauá, Francisco Morato e outros da região metropolitana possuem os trens como única alternativa de deslocamento para os trabalhadores. Para ele, se o serviço prestado for semelhante ao que é visto nas linhas 8 e 9, os usuários poderiam viver situações de “caos”.

Matos ainda concluiu dizendo que o Sindicato está fazendo apenas um alerta. Atualmente, apenas na linha 10, que cobre o ABC passando por cinco cidades da região (São Caetano do Sul, Santo André, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra), mais de 250 mil pessoas utilizam os trens da CPTM diariamente.