As cidades do Grande ABC registraram em 2016 a maior queda no número de casamentos civis registrados em cartórios da região nos últimos dez anos. O cenário, que segue tendência nacional, é motivado principalmente pelo aumento de desemprego e pela crise econômica. Isso é o que mostra a pesquisa Estatísticas do Registro Civil, divulgada na semana passada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Segundo o estudo, foram contabilizados, no ano passado, 18.906 casamentos nos sete municípios da região – contra 20.436 no mesmo período de 2015. A queda de 7,49% é a segunda registrada desde 2006. Em 2009, a queda no número de casamentos havia sido de 5,49%.
“A instabilidade econômica do País causou uma certa preocupação em boa parte da população. Se antes casais guardavam dinheiro para o casamento, hoje a crise faz esse pensamento mudar. O que se nota é que a economia feita por muitas famílias agora tem como objetivo unicamente prevenir qualquer dificuldade orçamentária que venha ocorrer com a crise”, explica Klívia Brayner de Oliveira, gerente de pesquisa de registro civil feita pelo IBGE.
A queda nas oportunidades de emprego é outro fator citado por especialistas para redução drástica no número de casamentos. De acordo com os dados da última PED (Pesquisa de Emprego e Desemprego) da região realizada pelo Seade/Dieese, referente ao mês de fevereiro, o grande ABC conta com 244 mil pessoas fora do mercado de trabalho.
Para Luiz Silvério, coordenador da cátedra Gestão de Cidades da Universidade Metodista de São Paulo, o cenário, no entanto, pode ser ainda pior. Com o recuo no número de matrimônios e também de nascimentos, que no ano passado recuou 4,22% no Grande ABC, possivelmente casais terão menores gastos com casas e outras compras relacionadas a famílias, exatamente o tipo de consumo que o País precisa para voltar a ter crescimento econômico. “É preciso reverter esse cenário, caso contrário nossa população irá envelhecer e, em contrapartida, não se terá um núcleo ativo para impulsionar o cenário econômico”, destaca.
Ritmo de divórcios em 1ª instância tem queda de 12% em cidades da região
Após dois anos em alta, o Grande ABC voltou a registrar no ano passado queda de 12,15% no número de divórcios concedidos em primeira instância ou por escrituras extrajudiciais na região.
De acordo com a pesquisa Estatísticas do Registro Civil, divulgada semana passada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), em 2016 foram concedidos 3.436 divórcios a casais da região, média de nove separações por dia. Em 2015, haviam sido registradas 3.911 separações.
A queda registrada no Grande ABC foi na contramão do cenário nacional, onde houve aumento de 4,7% no número de divórcios entre 2015 e 2016.
Segundo o estudo, no ano passado foram concedidos 344.526 divórcios em primeira instância ou por escrituras extrajudiciais, contra 328.960 separações em ocorridas em 2015.
“No cenário nacional, a facilidade legal para o divórcio após a legislação ser alterada, em 2010, deixou as pessoas mais à vontade para realizar a separação”, explica Klívia.
Fonte: Diário do Grande ABC
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