Mauá inicia em abril oferta pioneira de teste molecular para HPV na rede pública de saúde
Novo exame genético, mais sensível e eficaz, substituirá gradualmente o
Papanicolau e deve beneficiar inicialmente cerca de 10 mil mulheres de 25 a 64
anos na cidade
A rede municipal de saúde de Mauá
passa a oferecer, a partir de abril, exame mais moderno e preciso para a
detecção do HPV, vírus responsável pela maioria dos casos de câncer de colo do
útero. De forma pioneira no Estado de São Paulo, o município inicia a implantação
do teste molecular DNA para os tipos HPV 16 e 18, considerados de alto risco e
associados a cerca de 70% dos diagnósticos da doença. A iniciativa segue as
novas diretrizes do Ministério da Saúde, que recomenda a substituição gradual
do exame Papanicolau por método mais sensível e eficaz de rastreamento no
Sistema Único de Saúde (SUS).
O novo teste representa avanço
importante na prevenção, pois identifica diretamente o material genético do
vírus antes mesmo do surgimento de lesões. Diferentemente do Papanicolau, que
detecta alterações celulares já instaladas, o exame molecular permite agir de
forma antecipada, ampliando as chances de evitar o desenvolvimento do câncer de
colo do útero. No Brasil, a doença ainda é um dos principais desafios de saúde pública.
Segundo estimativas oficiais, são cerca de 17 mil novos casos por ano, além de
mais de 7 mil mortes, muitas delas associadas ao diagnóstico tardio.
Com a mudança, o SUS também passa
a adotar o chamado ‘rastreamento organizado’, por meio do qual o sistema de
saúde deixa de depender apenas da procura espontânea e passa a convocar
ativamente a população-alvo para a realização dos exames. A estratégia busca
garantir maior cobertura, acompanhamento adequado dos casos e redução das
desigualdades no acesso ao diagnóstico.
Em Mauá, a busca ativa que vem
sendo realizada pelas equipes de saúde deve beneficiar nesta primeira etapa
cerca de 10 mil mulheres entre 25 e 64 anos. Os exames serão coletados nas
Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e acondicionados no Hospital de Clínicas Dr.
Radamés Nardini, de onde as amostras seguirão para análise laboratorial no Rio
de Janeiro, com prazo médio de 15 dias para a devolutiva dos resultados.
Inicialmente, o procedimento será ofertado em cinco UBSs – Parque São Vicente,
Magini, Zaíra 1, Flórida e São João – e, gradualmente, ampliado para toda a
rede municipal.
“O grande diferencial é que este
teste genético permite a detecção muito precocemente do câncer de colo do
útero. A expectativa é que com esse novo rastreamento associado à vacinação, o
Brasil consiga em alguns poucos anos erradicar essa doença”, afirma Kátia
Navarro Watanabe, secretária adjunta de Saúde de Mauá. Segundo ela, a cidade
está concluindo a formação das equipes e a definição dos protocolos para
garantir a qualidade dos atendimentos.
Mesmo com a ampliação da
vacinação contra o HPV – oferecida gratuitamente pelo SUS a crianças e
adolescentes – especialistas reforçam que o rastreamento continua sendo
fundamental, sobretudo para pessoas não vacinadas.
O HPV é transmitido
principalmente por contato sexual, inclusive sem penetração, e pode permanecer
sem sintomas por anos. Existem mais de 200 tipos do vírus: alguns causam
verrugas genitais, enquanto outros evoluem de forma silenciosa e estão
associados ao desenvolvimento de diversos tipos de câncer, como o de colo do
útero, além de tumores no ânus, pênis e garganta.
Embora muitas infecções
desapareçam espontaneamente, os casos persistentes podem evoluir de maneira
silenciosa, aumentando o risco de transmissão sem diagnóstico e levando a
complicações graves.
A prevenção é essencial e se
apoia em três pilares: vacinação, uso de preservativos e realização regular de
exames. Em conjunto, essas medidas ampliam significativamente as chances de
reduzir a incidência da infecção e, no futuro, até eliminar o HPV como problema
de saúde pública.
No sábado passado (28), as 23
Unidades Básicas de Saúde (UBSs) do município promoveram o Dia D de mobilização
para vacinar o público-alvo contra a Influenza. Além das doses contra a gripe,
também foram oferecidas vacinas contra o HPV a meninas e meninos de 9 a 19
anos. Ao todo, 100 pessoas foram imunizadas.




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