Popularização de canetas emagrecedoras pede atenção para perda muscular e dor articular

Por Portal Opinião Pública 11/05/2026 - 16:50 hs
Foto: Divulgação

O uso de medicamentos injetáveis para perda de peso, as conhecidas canetas emagrecedoras, vem crescendo rapidamente no Brasil e se consolidando como uma nova frente no tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2. Ao mesmo tempo, a expansão do uso tem ampliado o debate sobre efeitos associados ao emagrecimento acelerado, sobretudo quando conduzido fora de um contexto clínico estruturado.

Segundo o ortopedista Marcelo Ruck, da Santa Casa de Mauá, parte das observações clínicas aponta que a redução de peso obtida com essas terapias pode envolver não apenas gordura corporal, mas também massa muscular. “Em muitos casos, a perda de massa magra acaba impactando a estabilidade do corpo, o que se reflete em maior sobrecarga articular e queixas de dor”, explica.

A diminuição da massa muscular, sarcopenia relativa, pode alterar a distribuição de cargas no corpo. Na prática, isso tem sido associado ao aumento de desconfortos em articulações como joelhos e coluna, além de maior incidência de tendinites e alterações posturais.

Outro aspecto é a possibilidade de redução da densidade óssea no emagrecimento rápido, especialmente quando há ingestão nutricional limitada. Esse cenário pode favorecer quadros de fragilidade óssea, principalmente em faixas etárias mais avançadas.

A diminuição do apetite pode levar à ingestão reduzida de micronutrientes, incluindo vitaminas do complexo B, como a vitamina B12. A deficiência desse nutriente é reconhecida como um dos fatores associados à neuropatia periférica, condição caracterizada por formigamento, dormência e alterações de sensibilidade. Além disso, o emagrecimento acelerado é um fator desencadeador de alterações neurológicas.

“Quando há perda de peso acompanhada de redução considerável de massa muscular e sem estímulo adequado ao sistema musculoesquelético, especialmente por meio da prática de atividade física, o organismo responde com sobrecarga articular e sintomas associados”, afirma Marcelo Ruck.

Por outro lado, o uso desses medicamentos de forma assistida, com acompanhamento clínico e suporte multidisciplinar, tem sido associado a benefícios relevantes, especialmente no controle metabólico.

“O tratamento deve ser conduzido com estratégias que incluem acompanhamento médico regular, orientação nutricional adequada, ingestão proteica compatível com a perda de peso e a inclusão de exercícios de força que tendem a influenciar de maneira positiva a preservação da massa muscular e o equilíbrio do organismo ao longo do processo”, explica o especialista.

O avanço das terapias injetáveis para controle de peso representa um marco no tratamento da obesidade. No entanto, à medida que seu uso se amplia, também crescem as observações relacionadas aos efeitos do emagrecimento acelerado no organismo.

Por essa razão, é importante compreender o emagrecimento para além da balança, considerando seus impactos estruturais e funcionais. “Não se trata apenas de reduzir peso, mas de entender como essa mudança ocorre no corpo e quais repercussões ela pode trazer ao longo do tempo”, conclui o ortopedista.

O Hospital Santa Casa de Mauá está localizado na Avenida Dom José Gaspar, 1.374 - Vila Assis - Mauá - fone (11) 2198-8300. https://santacasamaua.org.br/.