Campanha de vacinação contra o sarampo é antecipada em Mauá
Imunização começou nesta quarta-feira (29), seis dias antes do início da campanha de multivacinação; cidade não registrou casos da doença no ano
A Prefeitura de Mauá resolveu antecipar a vacinação contra o
sarampo na cidade, como medida preventiva diante do alerta epidemiológico
emitido pela Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo. A imunização começou
nesta quarta-feira (29), seis dias antes do início da campanha de
multivacinação, em 3 de agosto. O objetivo é ampliar rapidamente a cobertura
vacinal da população e reduzir o risco de reintrodução do vírus no município,
em um cenário de aumentos de casos nas Américas e de alertas emitidos pela
Organização Mundial da Saúde (OMS), pela Organização Pan-Americana da Saúde
(OPAS) e pelas autoridades sanitárias brasileiras.
De acordo com o Paço mauaense, a decisão foi tomada após a
confirmação de 14 casos da doença no Estado neste ano, incluindo dois em São
Bernardo do Campo, cidade vizinha na região do Grande ABC. A estratégia
municipal é intensificar a busca de pessoas que ainda não tomaram a vacina.
As 23 Unidades Básicas de Saúde (UBSs) de Mauá irão reforçar
a importância da aplicação da vacina tríplice viral à população de até 59 anos.
Conforme as recomendações do Programa Nacional de Imunizações (PNI), pessoas
com até 29 anos devem ter duas doses registradas da vacina, com intervalo
mínimo de 30 dias entre elas. A mesma orientação vale para profissionais de
saúde, independentemente da idade, em razão da maior exposição ao vírus.
Para facilitar o acesso ao imunizante, a Secretaria de Saúde
também disponibilizará posto volante de vacinação no Shopping Nova Estação de 3
(segunda) a 7 (sexta-feira) de agosto, das 16h às 20h.
Ainda segundo a administração municipal, desde o início
deste ano, Mauá notificou seis casos suspeitos de sarampo, todos descartados
após investigação epidemiológica. O mais recente foi encerrado em 30 de junho.
Apesar de o município não ter registros da doença em 2026, a Secretaria de
Saúde considera fundamental ampliar a cobertura vacinal, principalmente entre
adultos de 30 a 59 anos, faixa etária cuja cobertura atualmente é de 40%.
A secretária municipal de Saúde, Eliene de Paula Pinto,
defendeu a vacinação como principal ferramenta para impedir que o sarampo volte
a circular. “Não podemos esperar que a doença chegue para agir. Antecipar essa
mobilização demonstra o compromisso da Prefeitura com a prevenção, a proteção
da população e o fortalecimento da nossa rede de vigilância em saúde",
afirmou.
"Os alertas são motivados pelo aumento expressivo no
número de casos registrados em diferentes regiões, cenário influenciado pela
redução das coberturas vacinais e pela intensificação das viagens nacionais e
internacionais nesta época do ano. O fim das férias escolares, o retorno de
viajantes da Copa do Mundo de futebol, a maior circulação de pessoas e o fluxo
migratório contínuo de outros países contribuem para elevar o risco de
transmissão da doença”, explica a gerente da Vigilância Epidemiológica de Mauá,
Kelly Cristina Del Ré.
Ela reforça a preocupação com a população de 30 a 59 anos.
“Essa faixa etária apresenta cobertura vacinal abaixo da meta. Muitas pessoas
não sabem se receberam as duas doses recomendadas. Por isso, a orientação é
procurar uma Unidade Básica de Saúde para verificar a situação vacinal, levando
o comprovante de vacinação, caso o possuam. Vacinar-se é um ato de proteção
individual e coletiva, pois reduz o risco de complicações da doença, interrompe
a cadeia de transmissão e ajuda a evitar óbitos", acrescenta.
A imunização contra o sarampo antecede a campanha municipal
de multivacinação, a ser realizada entre os dias 3 e 31 de agosto em todas as
UBSs de Mauá. A mobilização terá como foco a atualização da caderneta de
vacinação de rotina de crianças e adolescentes menores de 15 anos, garantindo
proteção contra diversas doenças imunopreveníveis – mesmo com a campanha
direcionada ao público mais jovem, as UBSs também aplicarão doses em adultos,
em especial, no caso da vacinação contra o sarampo.
O Dia D da ação está marcado para 22 de agosto, um sábado, quando todas as unidades funcionarão com atendimento ampliado e equipes reforçadas para facilitar o acesso da população. Durante a semana, as doses são aplicadas nas UBSs a partir das 8h, com horários de encerramento variando conforme a unidade: Flórida, Magini, São João e Zaíra 2 vacinam até as 20h; Primavera e Sônia Maria até 18h; e as demais até as 16h30. É necessário apresentar documento com foto e, se possível, a carteirinha de vacinação.
Doença potencialmente contagiosa
Causado pelo vírus Measles morbillivirus, o sarampo é uma
doença infecciosa aguda e altamente contagiosa. Em uma comparação de
transmissibilidade, enquanto alguém contaminado com Covid transmite o vírus
para 2 ou 3 pessoas (estimativa com base na cepa original), quem está com
sarampo pode contagiar de 12 a 18 indivíduos que não estejam imunes.
O vírus é transmitido por via respiratória – gotículas
eliminadas durante a fala, tosse, espirro ou respiração – e permanece ativo e
flutuando no ambiente por até duas horas após a pessoa doente ter deixado o
local, favorecendo a disseminação.
Entre os principais sintomas estão febre alta, tosse
persistente, coriza, olhos avermelhados e manchas vermelhas na pele, que surgem
inicialmente no rosto e depois se espalham pelo corpo. As complicações podem
ser graves e incluem pneumonia, encefalite, otite, diarreia intensa, cegueira e
até óbito.
Embora o Brasil tenha recuperado, em 2024, a certificação de
país livre da circulação endêmica do vírus, a presença de casos esporádicos
reforça a necessidade de manter elevadas as coberturas da vacina tríplice viral
– principal forma de prevenção contra o sarampo, a caxumba e a rubéola.




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