STF decide que municípios sejam responsáveis por acolhimento de animais abandonados
O STF (Superior Tribunal Federal) determinou ser de
responsabilidade dos municípios o acolhimento a animais abandonados e vítimas
de maus-tratos. A deliberação segue a decisão tomada pelo TJ-SP (Tribunal de
Justiça de São Paulo) que, diante de uma Ação Pública movida pela Promotoria de
Catanduva, atribuiu à Prefeitura da cidade a adoção de medidas para o
acolhimento de animais que se encontrem neste tipo de situação.
A ação movida pela promotoria da cidade do interior paulista
foi impetrada após o Ministério Público apurar denúncias sobre uma moradora do
município que mantinha em sua casa cães e gatos que viviam em uma situação
considerada precária. A partir disso, de acordo com o MP-SP, o órgão verificou
que a prefeitura de Catanduva não possuía canil ou gatil público, o que fazia
com que a própria população local tivesse de realizar resgates e tratamentos de
animais com recursos próprios.
Depois de a denúncia ser encaminhada ao TJ-SP, o tribunal
apontou que tanto a Constituição Federal, quanto as legislações estadual e
municipal, determinam ser de responsabilidade do Poder Público municipal a criação
de políticas voltadas à proteção e ao bem-estar animal, orientando assim que o
Paço adotasse medidas voltadas para o acolhimento dos animais.
O município entrou então com um recurso, e o caso foi
enviado ao STF, onde o ministro André Mendonça corroborou da decisão do TJ-SP,
mantendo a decisão do tribunal.
A protetora de animais e responsável pela ONG Animal Rock,
Cristina Espinosa, comemorou a decisão, pontuando que o caso abre caminho para
a criação de políticas públicas mais abrangentes e efetivas para o bem-estar
animal.
“A decisão reforça um princípio muito importante: a proteção
animal não pode depender apenas do trabalho de protetores independentes e ONGs.
Ela é uma responsabilidade do poder público. Quando a Justiça reconhece o dever
dos municípios de criarem estruturas para acolher animais abandonados, ela
fortalece a implementação de políticas públicas permanentes, como programas de
castração, identificação por microchip, atendimento veterinário, resgate,
fiscalização contra maus-tratos e abrigamento temporário. Além disso, essa
decisão contribui para que os gestores públicos compreendam que o bem-estar
animal está diretamente ligado à saúde pública, ao controle populacional de
cães e gatos, à prevenção de zoonoses e à segurança da população. Espero que
esse entendimento sirva de incentivo para que mais municípios invistam em
políticas públicas eficientes, humanizadas e baseadas em planejamento,
garantindo que a legislação de proteção animal seja efetivamente cumprida e que
os animais deixem de depender exclusivamente da boa vontade de voluntários”,
afirmou.




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