Prefeito Atila concede primeira entrevista após volta ao cargo

Por Portal Opinião Pública 14/09/2018 - 08:48 hs
Foto: Jornal Opinião Pública

 

Na primeira entrevista após retomar o cargo de prefeito de Mauá, Atila Jacomussi (PSB) não poupou críticas à agora vice-prefeita Alaíde Damo (MDB) e ao grupo político que ela alçou para os principais setores do Paço enquanto o socialista esteve impedido de exercer a função. Embora por diversas vezes tenha pregado que evitará adotar a vingança como critério administrativo, Atila alfinetou os antigos aliados.

Sem citar especificamente o episódio, Atila criticou a comemoração feita pela ex-deputada Vanessa Damo (MDB) quando o TRF (Tribunal Regional Federal) da 3ª Região estipulou medidas restritivas ao socialista depois de sua soltura por força de liminar expedida pelo ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal). À época, vazou vídeo do sistema interno de segurança da Prefeitura que mostrou Vanessa celebrando a decisão enquanto deixava o gabinete.

“Você nunca pode tripudiar quando alguém está em uma cama de hospital, quando a pessoa está reclusa. Não pode comemorar reclusão de ninguém para alcançar outros objetivos. Para ser um grande político você precisa ser um grande ser humano. Tem de gostar das pessoas. Isso tudo é passageiro. Fui eleito por quatro anos, poderei ser reeleito se assim for a vontade do povo e de Deus. Não quero alcançar objetivos tripudiando ou comemorando o insucesso de outros”, disparou Atila, para, na sequência, abrandar a crítica contra Vanessa. “Respeito muito a Vanessa. Fui deputado com ela. Tenho proximidade. Não tenho problema com a Vanessa e acho que ela não tem problema comigo. Não tenho raiva nem mágoa. Voltei com o coração limpo.”

Atila ficou 125 dias afastado da Prefeitura de Mauá, período que se iniciou no dia 9 de maio, quando ele foi preso no âmbito da Operação Prato Feito, da PF (Polícia Federal), que apura suposto esquema de desvio de recursos para merenda e uniforme escolares em 30 cidades paulistas. Embora não houvesse inicialmente mandado de prisão contra ele, o socialista foi detido porque policiais encontraram R$ 87 mil em espécie em sua casa e outros R$ 588 mil, em dinheiro vivo, na casa do então secretário de Governo, João Gaspar (PCdoB). Atila ficou 37 dias preso, inicialmente na sede da PF em São Paulo, no bairro da Lapa, depois no presídio em Tremembé, no Interior.

O prefeito concedeu entrevista ao lado de seus advogados, de seu pai, o presidente da Câmara, Admir Jacomussi (PRP), de sua mulher, Andreia Rolim Rios, e de dois de seus aliados mais fiéis, Israel Aleixo, o Bel (PSB), e Márcio de Souza (PSB) – os três últimos voltarão a ocupar cargos no primeiro escalão, sendo que Bel vai virar secretário de Governo, enquanto Márcio retornará à chefia de Gabinete.

Foram várias as vezes que Atila garantiu que não governará com o fígado. “Retorno com coração cheio de amor. Não venho com ódio ou vingança. O amor constroi”, ressaltou ele, sem, portanto, perder a oportunidade de questionar as atitudes de Alaíde. “Minha grande missão é fazer o povo sorrir de novo. Não é governo de família, de um grupo. Sou prefeito do povo, dos mais humildes, da periferia, daqueles menos favorecidos. Não sou prefeito do nepotismo, sou prefeito do povo.”

Especificamente sobre a relação com Alaíde, Atila afirmou que a emedebista não entrou em contato com ele desde a prisão. “Com todo respeito ela é vice-prefeita. Durante meu retorno, eu não conversei com ela. Infelizmente ela talvez não tenha tido tempo, durante esses quase 120 dias (de ausência do comando do Paço), de me ligar. Mas entendo. Talvez ela estivesse com muito trabalho. Isso faz parte. Respeito. A dona Alaíde é senhora de quase 70 anos (tem 69), eu respeito os idosos. Para ser respeitado você tem de respeitar o ser humano.” 

Decreto de calamidade financeira será reavaliado

O prefeito de Mauá, Atila Jacomussi (PSB), estimou que até terça-feira (18) anunciará se revogará o decreto de calamidade financeira, estipulado por Alaíde Damo (MDB) durante o governo interino. “Vamos avaliar, com toda a equipe de governo”. No começo de julho, Alaíde adotou a medida alegando que o deficit financeiro da Prefeitura de Mauá poderia chegar a R$ 150 milhões neste ano caso as despesas não fossem represadas.

“A situação econômica da cidade nunca foi fácil. Quando assumimos (em 1º de janeiro de 2017), tínhamos quase R$ 1,3 bilhão de dívidas globais. Quase R$ 400 milhões de dívida de curto prazo deixados pela administração do ex-prefeito Donisete Braga (ex-PT, hoje no Pros). São números, não críticas. Não fiz política de transferir responsabilidade. Em nenhum momento assinei decreto de calamidade financeira. Em vez de arrumar desculpa, procurei trabalhar”, citou.

O socialista argumentou que, por estar há algumas horas de volta ao Paço, não conseguiu tomar pé de todas as decisões administrativas da gestão Alaíde, como o comunicado de descontinuidade do contrato com a FUABC (Fundação do ABC). Ele projetou reunião na próxima semana com a direção da entidade para entender como andam as tratativas para construção de um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta). “Só sei o que li na imprensa.”

Por outro lado, assegurou que retomará programas de sua gestão, como o café para o trabalhador no Terminal Municipal de Ônibus e a reabertura do PS (Pronto-Socorro) do Hospital de Clínicas Doutor Radamés Nardini.

“Saúde é prioridade no nosso governo. Devemos entregar várias obras. Mauá está renascendo. Se o dia tem 24 horas, vou trabalhar 72 horas para reconstruir essa cidade. Mauá agora tem 470 mil prefeitos. A população será grande mestre de obras para a gente reconstruir essa cidade, reconstruir com amor”, disse. 

Treze secretários são demitidos; antigos aliados estão em xeque 

No primeiro dia após retornar à Prefeitura de Mauá, Atila Jacomussi (PSB) promoveu a exoneração de 13 integrantes do primeiro escalão da gestão interina de Alaíde Damo (MDB). Ele argumentou que outras trocas serão avaliadas tendo a capacidade técnica como critério.

Ontem mesmo foram exonerados Antônio Carlos de Lima (Governo), Cássia Cogueto (Relações Institucionais), Caio Evangelista (Cultura), Marcelo Lima Barcellos de Mello (Saúde), Temístocles Cristófaro (Planejamento), Michel Bianchini (Trânsito), Laura Demarchi (Política para Mulheres), Paulo Cordeiro (Administração), Marcos Ratti (Habitação), Erenita Eman (Gabinete), Denise Debartolo (Educação), Luiz Alfredo dos Santos Simão (Segurança) e Mauro Moreira (Saneamento Básico do Município de Mauá). Apenas Marcos Maluf foi anunciado pelo prefeito, como novo titular de Administração.

Após a entrevista coletiva, Atila se reuniu com o núcleo duro de seu governo e deu pistas sobre quem formará a linha de frente da retomada da gestão: Israel Aleixo, o Bel (PSB), liderará a Pasta de Governo; Márcio de Souza (PSB) ficará na chefia de Gabinete e na Comunicação; e a primeira-dama Andreia Rolim Rios tende a resgatar o posto de secretária de Política para Mulheres. José Vianna Leite e Paulo Barthasar também devem retornar ao primeiro escalão.