Às vésperas de uma eleição a governador e após 20 anos de obras, o governo do Estado de São Paulo entregou na manhã desta sexta-feira (28) três estações da Linha 5-Lilás do metrô. As inaugurações foram das estações Hospital Servidor, Santa Cruz e Chácara Klabin. A linha deveria ter sido entregue em 2014.
A linha parte do bairro do Capão Redondo e agora poderá se conectar à Linha 1-Azul, na estação Santa Cruz, e na Linha 2-Verde, na estação Chácara Klabin. O início da operação será em horário reduzido, para testes. No meio do caminho, a estação Campo Belo é a última prevista para a Linha 5-Lilás e só deverá ser entregue ao fim deste ano.
A inauguração obedece tendência conhecida pelos paulistanos: a de inaugurações em anos eleitorais. Só em 2018, o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) entregou 10 estações, mais do que havia inaugurado nos seis anos anteriores.
Desde a saída de Alckmin, o governador e candidato à reeleição, Márcio França (PSB), entregou a estação AACD/Servidor, em agosto, e hoje entregou mais três. Todas as obras de expansão do metrô paulista estão atrasadas ou paralisadas.
A conexão da Linha 5-Lilás com o restante da malha metroviária era muito aguardada por moradores do extremo sul de São Paulo, que agora terão seu acesso facilitado à região central e à Avenida Paulista. A entrega das estações deverá mudar fluxos de passageiros na rede de transporte sobre trilhos da cidade.
Entre as principais mudanças estão a redução do número de passageiros na Linha 9-Esmeralda da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) e na Linha 4-Amarela. Em contrapartida, trechos da Linha 1-Azul, 2-Verde e a 5-Lilás ganharão em número de passageiros durante o horário de pico.
A Linha 5-Lilás foi prometida para 2014, mas teve sucessivos atrasos. As obras foram iniciadas em 1998. A inauguração das primeiras seis estações, num percurso de 9,4 km, ocorreu em 2002. Porém, a operação só se tornou plena (todos os dias e em horário estendido) em 2008.
Em 2010, mais um tropeço: reportagem mostrou que as empresas que venceriam os lotes para a segunda etapa do ramal (entre as estações Largo Treze e Chácara Klabin) eram conhecidas seis meses antes da licitação.
A reportagem causou a suspensão da licitação e a abertura de investigações. O caso segue na Justiça. Em 2011, Geraldo Alckmin (PSDB) decidiu avançar as obras com os contratos suspeitos, contrariando recomendação da Promotoria.
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