Enfermeira mauaense promove ação para a arrecadação de lenços
A enfermeira mauaense Talita Rodrigues Mattos – conhecida também como Talita Ro Matt - lançou, nesta terça-feira (21), a ação independente “Doe Lenço, Doe Alegria”. A campanha tem como meta arrecadar lenços que serão doados para o centro oncológico do IBCC (Instituto Brasileiro de Controle do Câncer), localizado na capital paulista. O instituto possui um banco de lenços, no setor de quimioterapia, disponível para as pacientes.
Segundo a enfermeira, que superou um câncer de mama diagnosticado por ela mesma em dezembro de 2017, a ideia para a realização desta ação surgiu logo após ela descobrir, no início deste ano, que o banco de lenços do IBCC estava completamente zerado. Na oportunidade, ela tinha ido até o hospital para conversar com um dos oncologistas e resolveu parar no banco para pegar uma peça e presentear uma paciente que queria conhecê-la por conta de seu blog. Entretanto, ela acabou sendo informada pelas enfermeiras que as peças haviam se esgotado.
Depois do episódio e de uma conversa com sua mãe, Talita resolveu procurar alguns amigos do ramo comercial em Mauá para pedir apoio visando a arrecadação de lenços que seriam revertidos para o IBCC. Nessa empreitada, ela se encontrou com Francine Rico, da FR Comercial, que prontamente se colocou a disposição para ajudar no projeto produzindo os materiais para a ação e buscando novos parceiros.
A ideia logo se espalhou entre outros comerciantes, que também apoiaram a campanha. Hoje, dois dias após o lançamento da ação, pelo menos nove estabelecimentos funcionarão como pontos de entrega das doações. Nesses locais, haverá banners e caixas estampadas com a arte da campanha (que pode ser vista aqui ao lado) que irão recolher os lenços. São eles: a loja Lene & Cia (Avenida Presidente Castelo Branco, 1.317, Jardim Zaíra), as duas unidades do salão de beleza Rayssa Lira (Avenida Humberto de Campos, 3.499 – dentro da Coop Ribeirão Pires – e Rua Roque Finamore, 377, Jardim IV Centenário), as duas unidades da farmácia Alquifarma (Rua Campos Salles, 120, Centro, e Avenida Capitão João, 20, Matriz), o salão Studio Hollywood (Avenida Governador Mario Covas, Centro – dentro do Mauá Plaza Shopping), a farmácia Reike Farma (Avenida Barão de Mauá, 5.095 – Jardim Itapeva), na Eliana Cibele (Rua Hatsuko Chinen Tuha, 123, Parque Alvorada) e a FR Comercial (Rua Aquidaban, 100, Vila Vitória).
Muito ativa nas redes sociais, onde sempre fala sobre o tema - especialmente no Facebook e no Instagram - e dona de um blog onde compartilha informações e textos voltados para ajudar pessoas que estão em tratamento de câncer, Talita tem utilizado também estas plataformas para divulgar a iniciativa.
Com a ação “Doe Lenço, Doe Alegria”, Talita pretende também elevar a conscientização das pessoas sobre a importância que um ato simples como esse pode ter na vida de alguém que está em tratamento oncológico, já que uma das causas para o baixo número de doações de lenços é que as pessoas só se lembram das campanhas de combate ao câncer de maneira esporádica. Para ela, que viveu esse drama na pele, passando por uma cirurgia em julho do ano passado, por quatro meses de sessões de quimioterapia – entre setembro e dezembro de 2018 – e por 30 sessões de radioterapia no início de 2019, para vencer a doença, os pacientes que lutam contra o câncer precisam de atenção o ano todo. “O mais triste é que as pessoas só lembram de doar lenços, ou só lembram de câncer, em períodos sazonais. As pessoas lembram do câncer de mama no ‘Outubro Rosa’. Do câncer de próstata no ‘Novembro Azul’, e isso é muito triste porque o câncer é câncer o ano todo. O paciente oncológico depende de assistencialismo com frequência, sempre”, alertou.
Ela garantiu ainda que a utilização de lenços por parte das pacientes oncológicas pode ser uma parte muito importante do tratamento, pois proporciona um crescimento da autoestima e mais positividade, o que é fundamental para enfrentar uma doença tão grave.
“A paciente oncológica cuida do lenço como se fosse o cabelo dela. Ela usa o lenço combinando com a roupa, ela muda a amarração, ela usa como ornamento pessoal que supre um item essencial da vaidade feminina, que é o cabelo”, afirmou a enfermeira que também compartilhou sua experiência com o uso destas peças.
“Como mulher vaidosa, sempre gostei de lenços. Só que eu entendi a necessidade e o quanto é valioso um lenço para uma paciente quando perdi meus cabelos. Tive, graças a Deus, uma peruca maravilhosa que era de cabelo orgânico que era completamente semelhante ao meu cabelo. Então, as pessoas que não sabiam que eu estava passando pelo processo do tratamento, não conseguiam identificar que aquele cabelo não era meu. Só que no decorrer da primeira quimioterapia, no meu rebaixamento imunológico, minha pele respondeu de forma muito ruim, o que acontece com frequência. Comecei a ter alergias e não temos resistência para combater. E essa alergia começou a virar feridas no couro cabeludo e nos dias em que eu precisava me sentir bem, para poder sair, eu entendi que a peruca não era usável em todos os momentos e o lenço era o mais adequado para aquecer a cabeça, proteger da radiação, pra proteger as feridas com a pomada, porque é uma prescrição médica proteger a cabeça e evitar exposição ao sol”, contou.
Você pode encontrar mais informações sobre a ação nos perfis Talita Ro Matt no Facebook e no Instagram e também no blog talitaromatt.blogspot.com.
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