O governo de São Paulo anunciou, nesta quinta-feira (11), a paralisação de todas as atividades esportivas no estado, incluindo o futebol. Com isso, o Campeonato Paulista deverá ser suspenso por pelo menos duas semanas, entre os dias 15 e 30 março, período em que as medidas de restrição impostas pelo governador João Doria (PSDB) durarem. Contrária à decisão, a FPF (Federação Paulista de Futebol) estuda medidas de como manter o torneio em disputa.
Segundo o portal GE.com, uma das possibilidades a serem discutidas pela FPF é levar os jogos para outro estado. De acordo com o site do grupo Globo, os clubes se reunirão na tarde desta quinta-feira com membros da Federação para debater a ideia. É esperado que a FPF se pronuncie logo após o encontro.
Dirigentes da federação já haviam se reunido com membros do governo e do Ministério Público, nesta quarta-feira (10), para debater a continuidade do torneio. No dia anterior, a Federação Paulista de Futebol já havia se posicionado contra a paralisação da competição (leia a nota completa abaixo).
Mesmo com a decisão do governo paulista, o jogo entre Palmeiras e São Caetano, que acontece na noite de hoje, no Allianz Parque (atrasado da primeira rodada), quanto as partidas do final de semana estão mantidas, uma vez que a determinação só passará a valer à partir de segunda-feira (15).
Nota Oficial – Futebol Paulista
A Federação Paulista de Futebol, por meio de seu Comitê Médico, presidido pelo Prof. Dr. Moisés Cohen, vem a público manifestar contrariedade à recomendação do Procurador-Geral, Sr. Mario Sarrubbo, à paralisação dos jogos de futebol no Estado de São Paulo.
Elencamos, abaixo, critérios científicos que embasam a continuidade do futebol:
1 – O futebol retomou suas atividades seguindo um rigoroso protocolo de saúde, elaborado pelos médicos de todos os clubes e pelo Comitê Médico da FPF. O documento, que vem sendo seguido à risca durante todo este período, foi aprovado pelo Centro de Contingência do Coronavírus do Governo do Estado, órgão composto pelas maiores referências médicas no combate à Covid-19. O protocolo foi, inclusive, aprovado pelo Ministério Público de São Paulo e pelo Ministério Público do Trabalho, representados em audiência de mediação pré-judicial para o retorno do futebol, em junho. Elogiado por todos os especialistas, o documento veta acesso do público aos estádios, estabelece testes recorrentes aos profissionais dos clubes e limita a quantidade de pessoas envolvidas na organização, fazendo das partidas locais seguros;
2 – A recomendação vai na contramão do combate à Covid-19 no mundo, como em países que realizaram rigorosos lockdowns em meio à segunda onda e mantiveram o futebol profissional em atividade. Nações como Inglaterra, Alemanha e Estados Unidos, mesmo com medidas extremamente restritivas à população, seguiram com suas ligas em atividade, sob o correto conceito técnico de que os jogos de futebol não são, sob nenhuma hipótese, locais que sugerem qualquer tipo de contaminação. E, além disso, o futebol é um importante entretenimento à população neste trágico momento que vivemos;
3- O futebol paulista, por meio da Federação Paulista de Futebol e dos clubes, tem sido um meio fundamental para a educação e conscientização da população sobre o combate à Covid-19. Lançamos antes do início do Campeonato Paulista a primeira campanha de enfrentamento à Covid-19 do futebol no Brasil: o Vacina FC. Trata-se de um movimento da FPF e de todos os clubes que incentiva a população a se vacinar, orienta e combate a desinformação, além de propagar informações sobre os cuidados que devem ser tomados para evitar o contágio;
Por fim, a Federação
Paulista de Futebol reitera que não há qualquer argumento científico que
sustente a tese de que o futebol profissional gere aumento no número de casos.
Pelo contrário, o futebol possui um protocolo extremamente rigoroso, com
acompanhamento médico diário e testagem em massa de seus profissionais. Uma
eventual paralisação seria ainda mais prejudicial ao combate à Covid-19, pois
deixaria expostos milhares de atletas, que não mais passariam a ter o controle
médico diário e de testagem que o futebol oferece. A FPF acredita que o
Governo do Estado de São Paulo continuará seguindo a ciência e manterá o
futebol profissional em atividade, seguindo o protocolo de saúde por ele aprovado.
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