CDPs de Mauá e região têm alta de celulares apreendidos

Por Portal Opinião Pública 11/06/2018 - 14:27 hs
Foto: BBC Brasil

 

A fragilidade da fiscalização presente no sistema penitenciário do Estado tem colaborado para a alta do número de celulares apreendidos nos quatro CDPs (Centros de Detenção Provisória) do Grande ABC, localizados em Santo André, São Bernardo, Diadema e Mauá.

No ano passado, 330 aparelhos foram encontrados nas unidades prisionais da região, ou seja, média de um celular apreendido por dia. O índice é 52% maior do que o registrado um ano antes. Em 2016, foram 216 telefones recuperados nos locais.

Os dados obtidos, via Lei de Acesso à Informação, mostram ainda que mais da metade dos aparelhos recuperados passaram despercebidos por agentes que fazem a segurança interna das unidades prisionais. Isso porque, segundo a SAP (Secretaria de Administração Penitenciária), 188 celulares apreendidos no ano passado foram localizados já dentro da cela dos detentos.

“Se mais da metade dos celulares são encontrados na cela, já com o detento, a fiscalização da unidade não se mostra eficiente. Algo precisa ser revisto, pois o número deixa claro uma fragilidade do sistema”, disse Newton Cardoso, especialista em Segurança Pública do Mackenzie Rio.

Segundo agentes penitenciários, os aparelhos ingressam nas unidades das mais variadas formas. “Hoje, o crime organizado se utiliza até de drones para fazer a entrega de celular. Sem contar com os métodos já comuns, quando celulares são inseridos dentro do corpo dos visitantes, ou em oportunidades em que os telefones são arremessados nos pátios das unidades”, relatou Fábio Cesar Ferreira, presidente do Sifuspesp (Sindicato dos Funcionários do Sistema Prisional do Estado de São Paulo).

Vista por especialistas como solução fácil de ser aplicada, a instalação de bloqueadores de celulares nos centros prisionais, por sua vez, ainda caminha a passos lentos. Apenas 23 unidades contam com o aparelho no Estado. “Vejo omissão do governo, pois é uma medida que está ao alcance deles. Parece que os governantes têm medo de enfrentar a organização criminosa”, disse Cardoso.