Carreta do Ministério da Saúde realiza mais de 1,4 mil exames em Mauá, mas Prefeitura faz alerta sobre faltas em exames
Ausências sem aviso chegam a 20% nas ultrassonografias e a quase 10% nas tomografias; unidade móvel tem objetivo de reduzir filas no SUS
Dados divulgados pela Prefeitura de Mauá nesta quarta-feira
(25) apontam que mais de 1,4 mil pessoas já utilizaram os serviços da unidade
móvel do programa ‘Agora Tem Especialistas’, do Ministério da Saúde. A carreta,
que está estacionada no Paço Municipal, tem auxiliado a reduzir a demanda
reprimida por exames de média e alta complexidades no Sistema Único de Saúde
(SUS) da região. Segundo a administração municipal, desde o início dos
atendimentos, no dia 30 de janeiro, foram realizados 1.409 exames de imagem, entre
tomografias (826) e ultrassonografias (583). Os números foram compilados no
último sábado (21).
Entretanto, a gestão mauaense tem demonstrado preocupação
com o número de pessoas que marcam o exame e não comparecem na data agendada.
Também conforme os dados do Paço, das 923 tomografias agendadas, 92 deixaram de
ser realizadas em razão de faltas sem aviso prévio, um índice de 9,97%. Já em
relação às ultrassonografias marcadas, a quantidade de ausências é ainda maior,
uma vez que dos 826 pacientes que marcaram o exame, 178 não compareceram à
unidade, o equivalente a 20,65% do público.
Ainda de acordo com as estatísticas, determinados dias da
semana concentraram maior número de ausências. No sábado (21), por exemplo, 27
pessoas de 80 agendadas para fazer ultrassom não apareceram. A quinta-feira
(19) também registrou alta taxa de ausências em tomografias, com 12 não
comparecimentos entre 60 agendamentos. Já na sexta-feira (13), 24 pacientes
deixaram de realizar a ultrassonografia, de um total de 80 marcados.
O acesso aos exames ocorre exclusivamente por meio da
Central de Regulação Ambulatorial, que respeita critérios clínicos e a ordem da
fila existente no SUS. Para Ana Mendonça, coordenadora de Apoio à Gestão em
Saúde de Mauá e responsável pela área dos agendamentos, a colaboração da
população é fundamental para o bom funcionamento do serviço.
“É essencial que as pessoas compareçam aos exames marcados
e, caso não possa, avise com antecedência para que possamos convocar outro
paciente. Isso permite democratizar ainda mais o atendimento e reduzir o tempo
de espera”, afirma.
As tomografias são realizadas diretamente na carreta,
instalada no estacionamento do Paço Municipal, em estrutura totalmente equipada
e adequada para o procedimento. Já as ultrassonografias ocorrem no Hospital de
Clínicas Dr. Radamés Nardini, com equipamentos, insumos e profissionais
disponibilizados pelo governo federal.
A iniciativa não beneficia apenas moradores de Mauá.
Usuários do SUS de Ribeirão Pires e de Rio Grande da Serra também são
atendidos, reforçando o papel do município como referência em saúde na
microrregião.
A unidade móvel permanecerá na cidade até 6 de março, como parte da estratégia nacional do Ministério da Saúde para ampliar o acesso a consultas, exames especializados e cirurgias eletivas, especialmente em regiões com maior demanda reprimida.
Impacto no SUS
O absenteísmo – caracterizado pela ausência de pacientes aos
exames marcados sem cancelamento prévio - é considerado um dos principais
desafios da gestão pública em saúde no Brasil. A ausência sem aviso gera
ociosidade na agenda de profissionais e equipamentos, prolonga filas de espera,
desperdiça recursos públicos e pode comprometer a continuidade do cuidado,
especialmente em casos que exigem diagnóstico precoce.
Levantamentos em diferentes regiões do país indicam que as
taxas de faltas em consultas e exames especializados podem ultrapassar 30% em
determinadas especialidades, impactando diretamente a eficiência do sistema.
“Cada ausência representa um exame que deixa de ser
realizado e uma vaga que poderia beneficiar outra pessoa na fila. Esses
equipamentos e profissionais estão aqui para atender nossa população da forma
mais eficiente possível. Quando o paciente falta sem aviso, perdemos
oportunidade de diagnóstico precoce e postergamos cuidados essenciais”, destaca
Eliene de Paula Pinto, secretária municipal de Saúde.




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