Mauá promove Dia D de vacinação contra gripe e febre amarela após aumento de casos graves e alerta regional
Mobilização ocorre neste
sábado em seis UBSs da cidade, das 8h às 17h, diante da alta de registros de
síndrome respiratória aguda grave e da confirmação de circulação do vírus da
febre amarela em sagui encontrado na divisa com Santo André
O avanço dos casos graves de
gripe no município e o recente alerta epidemiológico provocado pela confirmação
de febre amarela em macaco encontrado na divisa com Santo André levaram a
Prefeitura de Mauá a promover Dia D de Vacinação neste sábado (30), mobilizando
seis Unidades Básicas de Saúde (UBSs) do município – Parque São Vicente, Vila
Assis, Magini, Zaíra 1, Itapark e São João. As doses serão aplicadas das 8h às
17h, com foco nas vacinas contra Influenza e febre amarela.
A ação foi definida pela
Secretaria Municipal de Saúde como estratégia emergencial de prevenção diante
do aumento expressivo da circulação viral registrado neste ano, especialmente
às vésperas do inverno, período historicamente marcado pelo crescimento das
doenças respiratórias.
A ação busca aumentar a cobertura
vacinal entre grupos prioritários, que segue abaixo do esperado no município –
ficou abaixo do 31% antes de a gestão municipal ampliar, no último dia 19, a
imunização para toda a população acima de seis meses de idade.
Dados da Vigilância
Epidemiológica de Mauá apontam crescimento de 71,7% nos casos positivos de
Influenza entre janeiro e abril deste ano. Foram 79 registros de síndrome
respiratória aguda grave (SRAG) associados à doença em 2026, contra 46 no mesmo
período de 2025.
Além da elevação dos casos, Mauá
registrou um óbito relacionado à Influenza neste ano e investiga outra morte
suspeita, ambos envolvendo crianças. O caso confirmado ocorreu em abril e
vitimou uma criança de 10 anos, sem comorbidades relatadas. O exame identificou
Influenza B. A paciente havia recebido a última dose da vacina em abril de
2025, reforçando a importância da imunização anual, já que a composição da
vacina é atualizada todos os anos conforme a circulação dos vírus predominantes
no mundo, seguindo recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do
Ministério da Saúde.
“Medidas para ampliar o acesso da
população aos imunizantes são medidas fundamentais neste momento. Estamos
diante de cenário de aumento importante dos casos respiratórios e, ao mesmo
tempo, de alerta regional para febre amarela. Nosso objetivo é facilitar o
acesso às vacinas, proteger vidas, reduzir internações e evitar complicações
graves”, afirma Eliene de Paula Pinto, secretária municipal de Saúde.
Segundo o Ministério da Saúde, a
vacina contra a Influenza é produzida com vírus inativados, não causa gripe e
reduz significativamente o risco de complicações, hospitalizações e mortes,
especialmente entre crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças crônicas.
A coordenadora de Vigilâncias em
Saúde de Mauá, Fabiana Marinho de Macedo Vieira, destaca que a combinação entre
a chegada do período mais frio e a circulação simultânea de diferentes vírus
exige atenção redobrada da população. “O outono e o inverno favorecem
historicamente a circulação dos vírus respiratórios, especialmente da
Influenza. A vacinação continua sendo a forma mais eficaz de prevenção contra
complicações, hospitalizações e mortes. Além disso, a confirmação da circulação
do vírus da febre amarela em primata não humano próximo ao município acende
importante sinal de alerta para reforçarmos a imunização preventiva”, explica.
O alerta relacionado à febre
amarela foi emitido após a confirmação laboratorial da doença em um
sagui-de-tufos-brancos (Callithrix jacchus) encontrado na região do Parque
Gerassi, em Santo André, próximo à divisa com Mauá e a áreas de fragmentos de
Mata Atlântica que integram o corredor ecológico do município.
Assim que foi oficialmente
notificada sobre o caso, na sexta-feira passada (22), a Coordenadoria de
Vigilâncias em Saúde de Mauá passou a intensificar ações preventivas e de
monitoramento epidemiológico, especialmente em bairros próximos às áreas de
mata, como Parque São Vicente, Vila Carlina, Guapituba, Jardim Primavera, Vila
Assis, Jardim Mauá, Jardim Santista e Feital.
A febre amarela é uma doença
infecciosa febril aguda transmitida pela picada de mosquitos infectados e pode
evoluir rapidamente para formas graves e fatais. No ciclo silvestre, a
transmissão ocorre principalmente por mosquitos dos gêneros Haemagogus e Sabethes.
Já no ciclo urbano, o vetor é o Aedes aegypti, também responsável pela dengue,
chikungunya e zika.
A cobertura vacinal contra a
febre amarela preocupa o município. O índice caiu de 60% para 37% neste ano,
reflexo do vencimento da proteção de 8 anos conferida pelas doses fracionadas
aplicadas durante campanhas emergenciais realizadas em 2018.
“A vacinação é essencial para
evitar o avanço dessas doenças. Estamos organizando grande mobilização para
ampliar a proteção da população, principalmente nas regiões mais vulneráveis e
próximas às áreas de mata. É importante que as pessoas aproveitem o Dia D para
atualizar a caderneta vacinal e garantir a proteção de toda a família”,
ressalta Amanda Batista de Siqueira Santos, coordenadora da Atenção Primária à
Saúde de Mauá.
A Secretaria Municipal de Saúde
reforça que os macacos não transmitem febre amarela aos seres humanos e
desempenham papel fundamental no monitoramento da circulação viral, funcionando
como sentinelas naturais para identificação precoce da doença.
Além da vacinação, a Prefeitura
orienta a população a manter medidas preventivas, como higienizar
frequentemente as mãos, cobrir nariz e boca ao tossir ou espirrar, evitar
ambientes fechados e eliminar recipientes com água parada, reduzindo a
proliferação de mosquitos transmissores.
Para receber as vacinas, basta
comparecer a qualquer UBS do município com documento com foto e, se possível,
carteirinha de vacinação. A imunização contra gripe estará disponível para toda
a população acima de seis meses de idade. Já a vacina contra febre amarela
segue as recomendações do Ministério da Saúde: duas doses para crianças menores
de cinco anos e dose única para pessoas a partir de cinco anos – idosos devem
procurar orientação médica antes de receber o imunizante. Pessoas vacinadas com
dose fracionada em 2018 devem procurar uma UBS para receber a dose padrão, que
garante imunidade vitalícia.
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