Uma tosse persistente, infecções
respiratórias recorrentes ou dificuldade para ganhar peso podem parecer sinais
de patologias comuns ou até comportamentais, especialmente durante a infância.
Em alguns casos, essas manifestações podem estar relacionadas à fibrose
cística, uma doença genética que afeta os sistemas respiratório e digestivo.
Segundo o pneumologista Valter
Eduardo Kusnir, do hospital Santa Casa de Mauá, a fibrose cística é provocada
por alterações no gene CFTR, responsável pela produção de uma proteína que
participa do transporte de sais e água através das membranas das células.
Quando essa proteína não funciona adequadamente, as secreções ficam mais
espessas e difíceis de eliminar.
“Esse muco mais grosso pode se
acumular nas vias respiratórias, causando inflamações e infecções de repetição.
No sistema digestivo, pode comprometer o funcionamento do pâncreas e dificultar
a absorção dos nutrientes”, explica o médico.
A doença é hereditária e de
transmissão autossômica recessiva - para desenvolvê-la, a pessoa precisa
receber uma cópia alterada do gene de cada um dos pais. No Brasil, o Ministério
da Saúde estima um caso para cada 10 mil pessoas. A frequência varia conforme a
região e a composição genética da população.
A fibrose cística pode se
manifestar de maneiras diferentes e com intensidade variável. Entre os sinais
mais característicos estão tosse crônica, produção persistente de secreção,
chiado e falta de ar, além de pneumonias e outras infecções respiratórias recorrentes.
Também é comum surgir os sintomas
iniciais nos primeiros anos de vida. Crianças com a doença costumam apresentar
dificuldade para ganhar peso e crescer adequadamente, mesmo com bom apetite,
diarreia ou fezes volumosas e com excesso de gordura. Outro sinal é o suor
excessivamente salgado, decorrente da alteração no transporte de sais pelo
organismo. Sinusite crônica e pólipos nasais também podem estar associados à
doença.
“É importante considerar a
fibrose cística diante de quadros respiratórios persistentes ou recorrentes sem
uma explicação clara, principalmente se estão acompanhados de baixo ganho de
peso ou alterações digestivas”, destaca Kusnir.
No Brasil, a investigação da
fibrose cística começa pela triagem neonatal, por meio do teste do pezinho. Se
houver alterações, a confirmação é feita pelo teste do suor. Exames genéticos
também ajudam na identificação.
Por ser uma condição crônica e
que afeta diversos órgãos, a fibrose cística é tratada de forma
multidisciplinar, de acordo com as necessidades de cada paciente. No
acompanhamento pulmonar, podem ser utilizados medicamentos para facilitar a
eliminação das secreções, broncodilatadores e antibióticos, além de
fisioterapia respiratória e atividade física orientada. O cuidado nutricional é
fundamental para pacientes com insuficiência pancreática e dificuldade de
absorção dos nutrientes, com a reposição de enzimas pancreáticas e vitaminas,
se necessário.
“O tratamento precisa ser
individualizado porque as manifestações e as alterações genéticas não são
iguais. Hoje, é possível controlar a doença e preservar a função pulmonar, o
que reforça a importância do acompanhamento médico”, afirma o pneumologista.
O Hospital Santa Casa de Mauá
está localizado na Avenida Dom José Gaspar, nº 1.374, Vila Assis, Mauá. Mais
informações podem ser obtidas pelo telefone (11) 2198-8300 ou pelo site da
instituição: https://santacasamaua.org.br/.
Cadastre seu email e receba nossos informativos e promoções de nossos parceiros.
Professor Fernando da Informática - Desafios da inteligência artificial no âmbito social e profissional
Daniel Alcarria - Nossa Mauá ontem e hoje
Editorial Revista SUCESSO - Editorial Revista SUCESSO - Edição 109
Dra. Paula Franco Freire Biason - Médica Veterinária - Ansiedade canina
Dra. Carolina Tavares de Sá - O advento da tecnologia e a utilização das ferramentas de inteligência artificial pelo Poder J...